Brasileiros assassinados na fronteira do México com os EUA

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Massacre de imigrantes foi cometido por integrantes de cartel de drogas, segundo sobrevivente (foto)

O governo brasileiro confirmou que conterrâneos nossos estão entre os mortos encontrados em um rancho no México, a cerca de 100 milhas da fronteira com os Estados Unidos. Segundo as autoridades da Força Especial da Marinha americana que foram ao local, os assassinatos têm relação com o tráfico de drogas e pessoas, que já fez mais de 28 mil vítimas nos últimos quatro anos naquela região. Os corpos estavam amontoados e são de imigrantes que tentavam entrar ilegalmente na América, segundo um dos sobreviventes do massacre, o equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla.

“É terrível e a sociedade deve se indignar com atos desta natureza, que comprovam a absoluta necessidade de que o crime organizado seja combativo com toda a firmeza”, destaca um comunicado assinado em conjunto pelos Marines e pelo governo mexicano. Pelo depoimento do equatoriano que conseguiu escapar dos traficantes, o grupo de indocumentados se preparava para atravessar a fronteira na cidade de Brownsville, no Estado do Texas. Como se recusaram a servir de capangas para o tráfico, os imigrantes foram executados pelos criminosos, que supostamente pertencem ao cartel ‘Los Zetas’.

Após a denúncia de Pomavilla, que está internado em um hospital de Matamoros, forças de segurança foram ao local e houve um tiroteio intenso, que resultou na morte de um marine e de três traficantes. No rancho, as autoridades encontraram 21 rifles e outras armas e farta munição. Um menor que faz parte da gangue foi preso e levado para prestar depoimento. “Trata-se de um ato de barbárie sem precedentes no País”, afirmou um representante do governo mexicano, assinalando que as mortes podem ter ocorrido no final de semana. Os 58 homens e 14 mulheres que morreram no massacre são do Brasil, Equador, Honduras e El Salvador. O número de vítimas pode aumentar, pois há suspeitas de que outros corpos de indocumentados já tenham sido enterrados.

O consulado brasileiro naquele estado mexicano confirmou a informação de que há conterrâneos entre as vítimas. As notícias estão sendo apuradas pessoalmente pelos diplomatas João Carlos Zaidan e Sérgio Augusto de Abreu e Lima Sobrinho, que estão na região. Os primeiros informes dão conta de que há quatro brasileiros entre os mortos no massacre, mas ambos admitem que este número pode ser maior. A imprensa local informou que os indocumentados pagariam até 15 mil dólares para atravessar a fronteira com os coiotes e que alguns já teriam adiantado parte deste dinheiro.

Este não foi o primeiro assassinato em massa promovido pelos cartéis da droga no México. Em maio deste ano, a polícia encontrou 55 corpos abandonados em um mina perto de Taxco, pequeno lugarejo ao sul da capital do País. Em julho, a guerra do tráfico provocou a morte de mais 51 pessoas em apenas dois dias e os corpos das vítimas foram deixados na periferia de Monterrey.

Polícia mexicana resgatou das mãos do tráfico outros 800 imigrantes só no ano passado

As autoridades mexicanas resgataram, somente em 2009, mais de 800 indocumentados das mãos dos traficantes. A informação foi dada por uma integrante do governo daquele País, acrescentando que os imigrantes estavam presos pelo crime organizado nas chamadas “casas de segurança”, especialmente em Tamaulipas, a região do massacre.

“Lamento muito que não pudemos detectar as 72 pessoas porque estariam, como estão agora os 812 outros imigrantes que resgatamos, são e salvos em seus países”, disse a comissária do Instituto Nacional de Migração (INM) do México, Cecilia Romero. Ela também admitiu que agentes de imigração estão envolvidos com o crime organizado e, por isso, 30 deles já foram detidos e mais de 350 foram afastados e respondem a processos.

Segundo denúncias das ONGs, os agentes envolvidos com o crime organizado assaltam, extorquem e sequestram imigrantes que ingressam no país sem papéis para tentarem entrar nos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2010, o México repatriou 43 mil imigrantes sem documentos e manifestou esperanças de que o mecanismo de controle migratório seja reforçado “para inibir e evitar que essas pessoas possam cair nas mãos do crime”.