Brasileiros da FL recebem cartas com ameaças e tentativas de extorsão

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Vítimas são instruídas a mandar dinheiro a título de doação para não serem denunciadas à imigração

Brasileiros residentes em diferentes cidades no sul da Flórida receberam, em agosto, cartas anônimas contendo ameaças e exigindo pagamento em dinheiro em troca do silêncio contra possíveis denúncias ao serviço de imigração. Assinadas pelo suposto grupo ou indivíduo cujas iniciais são O.R.D.S., as missivas instruem as vítimas a enviarem 30 dólares mensais a um P.O. Box (caixa de correio) de Orlando, FL, a título de “doação”. “Sabemos seu status aqui neste país (…). Se não cumprirem, achando que isso é uma brincadeira, certamente serão denunciados”, diz um trecho da carta, escrita de forma pobre e cheia de erros de português.

A brasileira Marie Corrêa, que mora em Fort Lauderdale, recebeu duas dessas cartas. Cidadã americana, a catarinense não se assustou com a intimidação, mas ficou revoltada com o ato praticado, provavelmente, por conterrâneos. “A mim não assustaram, mas certamente outras pessoas caíram neste golpe barato e mandaram dinheiro. É duro acreditar que existam malandros que só querem levar vantagem, e ainda por cima dentro da própria comunidade”, lamentou ela, que está nos Estados Unidos há mais de 15 anos.

Alerta

Como forma de alertar aos brasileiros sobre o problema, ela procurou o jornal AcheiUSA para relatar o caso, mas não desistiu da idéia de procurar um amigo que trabalha no FBI, a polícia federal americana, para denunciar a tentativa de extorsão. “Isso não pode ficar assim. Para os policiais é fácil descobrir quem mandou a carta ou mesmo quem contratou a caixa no correio, acabando assim com essa fraude”, afirmou Marie, que é funcionária do Aeroporto de Fort Lauderdale e garçonete.

Outra que recebeu a ameaça foi uma mineira de Plantation, que pediu para não ser identificada. Ao abrir o envelope, que foi postado na cidade de Orlando, em 18 de agosto (a exemplo dos outros), ela levou um susto e, a princípio, chegou a pensar que o conteúdo da carta merecia uma certa dose de preocupação. “Sabe como é, nós estamos aqui sem documentos e sabemos que a polícia de imigração está fechando o cerco. Liguei para os meus filhos em Minas e disse que queria voltar o mais rápido possível para o Brasil para não ser presa”, conta a senhora, que trabalha como doméstica.

>b>Extorsão é comum

Felizmente, ela compartilhou a angústia com uma amiga da igreja que freqüenta em Hollywood e descobriu que este tipo de extorsão está ficando cada vez mais comum, até aqui na América. “Estou mais tranqüila agora, mas isso prova como estamos vulneráveis neste país”, disse a mineira. Ela, porém, não vai registrar queixa na polícia, pois tem medo de ser questionada em relação à sua própria situação imigratória.

Esta, também, é a situação de um gaúcho de Porto Alegre, que mora em Sunrise. Indignado com a carta que chegou pelo correio na semana passada, ele teve o impulso inicial de ir à delegacia de Broward, mas acabou optando pelo silêncio, pelo menos em relação às autoridades. “É um absurdo, pois estes marginais se escondem no anonimato e se beneficiam com o fato de que muitos dos brasileiros daqui são indocumentados”, reclamou.

Todas estas vítimas receberam cartas enviadas de Orlando, mas com endereço de Bridgeport, em New Jersey – 2382 Mary Rose Street, que não existe, de acordo com o site do YellowPages.com. O remetente, identificado apenas com as iniciais O.R.D.S., fez questão de colocar no envelope, com destaque, a palavra ‘aviso’ para chamar a atenção de suas vítimas.Um detalhe: em todos os casos, as pessoas que receberam as cartas não foram identificadas pelo nome, apenas pelo endereço, o que indica que a tentativa de extorsão foi aleatória.
Na carta, em meio a muitos erros de português, o autor indica como devem ser feitos os paamentos. “Mande a doação em duas etapas, com um papel dentro do envelope embrulhando o dinheiro”, indica a missiva. Ao final, a frase, em inglês, “Do not play with us”, ou “Não brinque conosco”. Uma ilustração de um leão estilizado é o símbolo do grupo.