Brasileiros longe do mercado de trabalho e da sala de aula

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Pesquisa mostra que 20% dos jovens do país não estudam nem têm emprego

Há hoje no Brasil cerca de sete milhões de jovens que não estudam e nem trabalham. Segundo uma pesquisa feita pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), esse número corresponde a quase 20% dos brasileiros com idade entre 15 e 24 anos que não freqüentam a sala de aula e nem participam do setor produtivo do país.

Aos 19 anos, Bruna Tainara Paixão é um desses exemplos: além de cuidar da casa e dos quatro irmãos mais novos, ela dedica parte do seu tempo às atividades da igreja que freqüenta, como organizar encontros de jovens e arrecadar alimentos para comunidades carentes. “Procuro emprego desde que terminei o ensino médio, mas ainda não consegui entrar no mercado de trabalho”, ressalta a brasiliense, cuja família não tem condições de pagar uma faculdade e nem mesmo uma bolsa de estudos resolveria seu problema. “Meus pais não teriam como pagar livros, passagem e comida”, justifica a jovem.

Assim como ela, a maioria dos jovens sem ocupação têm renda familiar extremamente baixa e a permanência em casa para ajudar nos afazeres domésticos acaba por representar uma economia. Para Julio Jacobo Waiselfisz, autor da pesquisa, esses brasileiros deixam os estudos de lado para trabalhar e, como não têm uma boa formação profissional, acabam sem conseguir emprego.

Falta de perspectivas

A falta de perspectivas, portanto, pode se tornar um primeiro passo para a criminalidade. “Há fortes pressões estimulando o consumo e, por outro lado, a sociedade não oferece exemplos edificantes, pois todo dia há notícias de corrupção”, afirma o pesquisador. Para ele, o maior problema do país é a falta de políticas públicas eficientes voltadas para os jovens.

Sem chances

Sem se profissionalizar, as chances de um cidadão conseguir um emprego são pequenas. Mesmo com o crescimento do emprego formal no país, os índices de ocupação entre os jovens não estão melhorando no mesmo ritmo que em outras faixas etárias. Eles não têm tudo que o mercado exige. Para Waiselfisz, essa deficiência explica o significativo de pessoas em idade produtiva está sem ocupação. “Não dá para deixar como está. Tem que existir um esforço para qualificar mais o jovem para o mercado de trabalho ou colocá-lo dentro da escola”, conclui.