Brasileiros usam muita criatividade para gravar primeiro filme

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Simone e Micki usam até o próprio quarto para gravar cenas do seu longa metragem

Joselina Reis

Na hora de usar os próprios recursos para filmar o primeiro longa da carreira com recursos próprios, vale tudo. Os brasileiros Simone Bueno e Micki Mihich colocaram até o próprio filho de dois anos como coadjuvante em algumas cenas e usaram o quarto, banheiro e escritório como cenários. Mas mesmo assim, os custos são altos e o sonho de colocar o filme nas telonas de cinema e nos DVDs ainda precisa de $35 mil em investimento. Para isso eles criaram uma conta em um site de doações http://www.indiegogo.com/projects/ship-happens-movie-help-launch-this-ship.

Os recursos, explica Micki, que é paulista, vão para finalizar a edição do filme, compra de equipamento e divulgação da obra. “Qualquer quantia vale. Uma melhoria no computador já ajuda muito”, explica o cineasta que já foi jornalista e há 11 anos resolveu deixar a profissão e se jogar no mundo das artes cinematográficas.

O primeiro longa de Micki e da esposa Simone é Ship Happens. O longa, que já foi todo gravado, está esperando finalização para ir direto para os festivais de cinema mundo afora. Aliás, os dois já são figuras conhecidas no ramo, o curta ‘O centésimo trabalho’ já foi premiado em oito festivais. “Depois desse trabalho percebi que estávamos preparados para elaborar um longa. Só precisamos de um pouco de apoio”, conta ele que bancou 100% dos custos do curta metragem.

Para elaborar o enredo de Ship Happens, Micki usou um banco de ideias que confecciona desde que era adolescente. Na história, que inclui atores brasileiros e americanos, o personagem principal recebe como herança do pai falecido, um bar. A partir daí a vida do personagem muda radicalmente sempre com muita versão cômica dos fatos do dia a dia. “Nós somos fãs de comédia e de romance. De tudo que vai de Wood Allen a Super Bad, por isso colocamos um pouco de tudo. Tem personagens representando vários tipos da sociedade”, garante Micki.

Além de escrever o roteiro, Micki co-produziu, dirigiu e está fazendo a edição. Simone também co-produziu, fez a parte fotográfica do trabalho enquanto cuida do filho de dois anos. Quem investir na obra poderá receber vários prêmios, desde ter sua foto no pôster do filme, até um jantar com a presença da equipe em New York.”Nós queriamos oferecer algo interessante em troca da ajuda. Todos que ajudarem vão levar um pouquinho do nosso trabalho com ele”, disse Simone.

Micki e Simone garantem que mesmo com a dificuldade financeira em produzir um filme de forma independente nos EUA, o mercado americano oferece mais do que no Brasil. “Com o valor do aluguel de um equipamento do Brasil, nós podemos comprar o mesmo material aqui”, lembra Micki, que também frisa o outro lado da moeda. “No entanto, se nós pedirmos para gravar em um estabelecimento comercial no Brasil, os proprietários não só deixam como ainda ajudam. Aqui, eles querem diárias de $2 mil dólares”, desabafa.

Poster do filme Ship Happens escrito e  produzido pelo brasileiro Micki Mihich
Poster do filme “Ship Happens” escrito e produzido pelo brasileiro Micki Mihich