Brasileiros vítimas de tráfico humano deixam prisão

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Eles foram presos quando tentavam entrar nos EUA usando um barco vindo das Bahamas

Joselina Reis

Polícia divulga foto do barco com o qual entraram ilegalmente nos EUA dezoito brasileiros há dois meses. Cinco deles podem ganhar asilo político por colaborarem com a investigação e por sofrerem ameaças da quadrilha que atua em vários países, cujo chefe, Claudio Silva, continua foragido.

Claudio Silva está sendo procurado

Cinco brasileiros, vítimas de tráfico humano e que estão colaborando com a polícia nas investigações sobre a quadrilha brasileira especializada em trazer pessoas ilegalmente para os EUA, começaram a ser liberados do Broward Transition Center (BTC), em Pompano Beach. O primeiro preso foi liberado na sexta-feira (19), o próximo deve sair na sexta-feira (26) e os demais ainda em maio. Todos já foram aprovados na primeira fase do pedido de asilo político.

Eles estavam no grupo de dezoito pessoas que foram presas no dia 21 de fevereiro ao desembarcarem em Boca Raton a bordo de um barco vindo das Bahamas. Segundo o advogado dos cinco brasileiros, Max Whitney, eles vão aguardar o fim do processo em liberdade.

Ao todo, o processo deve durar até um ano. Porém, Whitney garante que, por serem considerados “testemunhas materiais” da investigação de tráfico humano, os cinco brasileiros tem grandes chances de seguir adiante no caminho do Green Card por asilo político.

Outros brasileiros que participaram do esquema de tráfico, os motoristas Lúcio Martins e Célio Silva, vão continuar presos e seu destino ainda está incerto. Em casos como esse, se condenados, podem pegar de dois a dez anos de prisão em solo americano e depois serem deportados. Na época, eles garantiram que essa era a primeira vez que participavam da receptação de ilegais.

No entanto, o grupo enfrenta agora outro problema. A quadrilha brasileira, responsável pela vinda dos imigrantes para os EUA, os quais ajudaram a desmantelar, agora está ameaçando a famílias dos imigrantes no Brasil. Os familiares moram em Minas Gerais, Ceará, Paraná e Goiás.

Os membros da quadrilha no Brasil estariam ligando para os familiares e exigindo que eles entrem em contato com os parentes presos na Flórida. Eles pedem para que as vítimas ‘calem a boca’, conta o advogado. As polícias dos EUA e Brasil estariam atuando na investigação para identificar a origem dos telefonemas.

Whitney lembra que antes de saírem do Brasil, a quadrilha tem como tática conhecer todos os familiares das pessoas que entraram no esquema. A quadrilha foi até a casa de todos eles, em todos os estados, lembra o advogado do grupo de testemunhas. Cada um pagaria $15 mil pelo “serviço de transporte” até o território americano. Sendo que parte do pagamento seria feito após a chegada nos EUA.

Claudio Silva está sendo procuradoDe acordo com os laudos da investigação, um dos chefes da quadrilha já foi identificado. É o brasileiro Claudio Silva, morador na cidade de Boston. Ele seria o gerente da operação nos Estados Unidos. Cláudio já teria usado outros nomes, entre eles, Patrick.

O centro das operações da quadrilha é localizado em Governador Valadares (MG). De acordo com as informações oferecidas pelos brasileiros presos à polícia, a quadrilha levava as pessoas para São Paulo, depois para o Panamá, em seguida para as Bahamas onde ficavam até um mês aguardando o melhor momento de fazer a travessia de barco até a costa da Flórida.

Entre os cinco brasileiros presos no BCT está um casal de Minas Gerais. Foi com a ajuda deles que a polícia conseguiu as primeiras provas sobre a quadrilha. O casal conseguiu fazer fotos de pessoas envolvidas e locais onde a quadrilha mantinha os imigrantes em uma casa nas Bahamas.

Fotos extraídas dos laudos constantes da investigação cedidas pelo advogado que cuida do caso