Braso-americana pode ser nova top model nos EUA

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Martina Schneider, de 15 anos, tem 16 agências interessadas em contratá-la

Joselina Reis

Com ajuda serena da mãe, a jornalista brasileira Marina Schneider, Martina, de apenas 15 anos, tem um objetivo em 2014: escolher uma entre dezesseis agências de modelos nos Estados Unidos que querem contratá-la para transformá-la em uma top model. Desde que assinou com uma agência local há um ano e meio, a vida da estudante que cursa o primeiro ano do segundo grau em uma escola pública em Cincinnati (Ohio), tem mudado muito. Além de ser convidada para desfilar no Japão por três meses, ela ganhou o prêmio de modelo do ano durante o Dallas Expo, maior evento de revelação de novas modelos nos EUA, realizado em novembro de 2013.

E as conquistas desta braso­americana, nascida em Ohio, não páram. Ela já desfilou no Cincinnati Fashion Week e para estilistas como Joshua Christensen e Korto Momulu. “As coisas estão acontecendo muito rápido, não imaginavámos que ela pudesse se interessar e ter jeito para modelo”, conta a mãe que se surpreendeu com a desenvoltura da filha de 1,80 de altura nas passarelas. “Sempre achamos que ela era bonita, mas somos suspeitos em dizer. Para mim, ela é exótica. Minha Cleópatra”, revela o pai, o americano Charles Schneider.

Como a história de outras grandes modelos, Martina foi descoberta por acaso. A mãe ‘coruja’ andava com a foto da filha na bolsa e até que um dia mostrou para um amigo que, por coincidência, era ex-modelo e conhecia um agente. Daí em diante ela não parou mais. “Depois que ela ganhou o prêmio, choveram telefonemas para contratá-la. Estamos avaliando as propostas e ela já foi entrevistada por duas grandes agências”, revela seu agente Jake Lang, da WingsModels, que acredita que seu futuro da carreira de Martina pode estar entre New York, Paris ou Los Angeles.

Para chegar até as grandes passarelas, Martina conta com a orientação tipo ‘pé no chão’ da mãe. “Eu sei que quando ela completar 18 vai escapar das nossas mãos, mas até lá quero instruí-la para investir na educação. Vida de modelo pode ser muito glamurosa, mas pode ser curta e além disso nem todo mundo chega a ser uma Gisele Bundchen”, disse a mãe, Marina Scheneider que não permitiu que Martina aceitasse o convite para passar três meses no Japão. Mesmo assim a agência japonesa afirmou que quer manter contato com a modelo para futuros projetos.

A jornalista brasileira, nascida no Rio de Janeiro, lembra que obrigou a filha (que também fala português) a ler toda a entrevista que a colunista do AcheiUSA, Leila Cordeiro, fez com a modelo e atriz Rebecca da Costa. Na reportagem, Rebecca deu uma dica às futuras novas modelos: “ Uma dica que eu gostaria que alguém tivesse me dado é que, quando se é modelo, temos muito tempo livre nas mãos.

Faça cursos, procure estudar coisas que sejam interessantes… Teatro, culinária, organização de eventos, enfim o que te interessar. Pouquíssimas meninas serão top model, mas ser modelo te abre muitas portas, tem muitos caminhos que podem ser seguidos e é bom estar preparada”.

Quanto a isso, parece que Martina já está no caminho certo. Ela frequenta uma escola com currículo voltado para artes e dramaturgia. Lá, além de aprender piano, desenho, pintura e escultura, a modelo também investe na carreira de atriz. “Eu sei que existe muito preconceito contra a carreira de modelo, muitos acreditam que todas sofrem de anorexia e ganham a vida mostrando sua beleza. Eu vejo de maneira diferente, a carreira de modelo é um negócio, quando desfilamos estamos vendendo um produto, então eu prefiro dizer que sou uma mulher de negócios. Eu quero continuar sendo modelo enquanto procuro meu espaço como atriz”, garantiu.

Com tantos planos em mente, é difícil de acreditar que aos quatro anos Martina estava em uma cadeira de rodas. A mãe lembra que de repente a filha começou a sentir dores nos pés e a partir daí seu corpo foi paralizando aos poucos até deixá-la vivendo com ajuda de aparelhos em uma cama de hospital. Martina foi diagnosticada com a doença Guillain–Barré – que afeta o sistema imunológico e causa paralisia. “Ela ficou seis meses em uma cadeira de rodas. Eu quase enlouqueci”, lembra Marina ainda emocionada.