Bruno e Bryan

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Dois amigos e a paixão pelo sertanejo

Vanuza Ramos

Existe uma parte do Brasil, lá bem distante, onde os galos ainda trabalham como despertadores e a viola bate no peito dos brasileiros, no lugar do coração. São recantos como a pequena Santa Luzia, no interior de Minas Gerais, de onde vieram Bruno e Bryan, dois amigos que viram ídolos sertanejos ganharem o mundo e quiseram seguir os mesmos passos.

A história deles começou ainda na infância, com Bryan (que para não fugir da regra sertaneja se chama, na verdade, Enízio Sérgio) e o pai, seu Nonô. Bem semelhante à de Francisco e seus dois filhos (Zezé di Camargo e Luciano), com seu Nonô impulsionando como podia a carreira de Sérgio, que na época ainda se apresentava com um amigo, com os nomes artísticos de Canarinho e Curió. Vi-nham seguindo uma trilha de sucesso, tornando-se conhecidos na região onde moravam, quando a mudança de voz – própria da adolescência – determinou outro rumo para a dupla.

Juntamente com as alterações hormonais, Brian foi acometido de uma rouquidão estranha e perdeu a potência da voz. Assim acabou a dupla, e ele resolveu tentar outro caminho: o pagode, já que para isso não exigia-se muito esforço vocal.

Sérgio integrou o grupo Que Delícia, fazia shows locais, mas não deixava de cantar sertanejo nas festinhas de amigos e em rodas de bar. Foi nessa época, finais dos anos 90, que encontrou o colega Cleiber Sérvulo – que se tornaria Bruno- e o convidou para cantarem juntos.
“A idéia era que eu fizesse a primeira voz e Bryan (Sérgio) a segunda. Eu tive que aprender a aumentar meu tom e ele teve que aprender a baixar o dele”, revela Bruno.

Começaram então a trabalhar como dupla, mas o nome não ajudava a comercializar seu trabalho. Sérgio e Cleiber não tinha apelo comercial mas ainda assim, sem apelo, foram cavando sua trilha.

Primeira vitória – Um dos fatos mais importantes na carreira dos dois aconteceu durante um show de calouros, em uma boate da cidade. Ganharam não somente um troféu e duas caixas de cerveja – o prêmio de concurso – como também a atenção do público da pequena Santa Luzia.
Foi nessa época que ocorreu o encontro deles com o Claudio ‘Nego Duro’, famoso locutor da rádio Santa Luzia, que comandava um programa sertanejo de grande audiência.

“Por acaso, passávamos em frente à casa de Claudio quando ele nos chamou e perguntou se Sérgio ainda estava cantando pagode. Daí, tive a idéia de mostrar para ele as músicas com a qual tínhamos ganha-do o concurso”. Lembra.

Quando terminaram de cantar depararam-se com um Claudio espantado com a qualidade da voz e interpretação dos dois. “Ele falou: ‘Vocês já estão prontos para o mercado. Segunda quero vocês no meu programa’”, contaram Bruno e Bryan.

Glória e sucesso – Para eles, foi a glória. Na segunda-feira, os telefones da rádio disparavam e o locutor resolveu lançar, no ar, uma promoção para escolha do nome da dupla.

“Sugeriram Cachoeira e Caixa D’Agua, Zico e Zeca, Alan e Luan e Bruno e Breno. Quando ele ouviu esse, falou pra mim: você tem cara de Bruno. Vai ser Bruno e Breno”, lembra Cleiber. Sérgio não tinha cara de Breno, mas esse foi o nome mais simpático sugerido. Assim eles foram batizados e a fama – pelo menos na região – começou a surgir em setembro de 2002.
Depois desse episódio, o trabalho dos meninos de Santa Luzia ganhou a estrada. Belo Horizonte foi a parada seguinte dos dois, que chegaram a ganhar programas de calouros na TV Gazeta durante quatro semanas consecutivas.

“Mas em BH tivemos um problema. Lá, já existia outra dupla com nome Bruno e Breno. Foi quando criamos o Bryan, para diferenciar”, contam.
E assim o Enízio Sérgio, que já tinha sido Canarinho em uma dupla, Serginho do Pagode, e Breno em outra dupla, passou a se chamar Bryan.
De volta ao inteiror – Faziam shows na cidade, em bares, boates e em comícios. Estavam fazendo até três shows por dia, quando resolveram vir para os EUA.

“Nossa idéia era vir, ganhar um bom dinheiro e voltar para gravar um disco”, diz Bruno.

A gravação seria uma seqüência do trabalho que tinham iniciado através da ex-esposa de Bruno e ex-empresária Ana Gurgel, que os colocou em estúdio para gravar duas faixas.

“A presença de Ana foi muito importante na nossa carreira. Ela entrou na nossa vida há dois anos e meio e mudou nossa história. Através dela foi que começamos a fazer shows fora da nossa região; foi ela que nos colocou em estúdio, quando gravamos duas músicas em Fortaleza”, lembra Bruno. “No início da carreira ela até abria mão da porcentagem dela, somente para nos ajudar”, completa.

Depois dessa fase, os Estados Unidos surgiram como uma alternativa boa para os meninos. Eles aterrisaram aqui há pouco mais de um ano, e já cativaram seu espaço na comunidade. Na mesma semana em que Bruno chegou nos EUA, teve a primeira chance de mostrar seu talento. Foi no restaurante Café Mineiro, onde deu uma ‘canja’ durante uma das apresentações de Juarez.

Um mês depois, Bryan chegaria no país, e a dupla se reuniu e partiu para a luta. A melhor referência que tinham era do Feijão com Arroz, que promovia as Sextanejas. “Fomos conversar com Betinho, mas não foi fácil. Ele não acreditou de imediato no nosso trabalho, mas aos poucos fomos convencendo-o”, conta. “Uma noite, no restaurante, resolvemos dar uma demonstração. Ele gostou, o público que estava presente adorou e a partir daí Betinho nos contratou para fazer as Sextanejas”, lembra a dupla.

Animaram as sextanejas por um ano até que numa ocasião o Bryan não pôde cantar. Sozinho, Bruno não podia continuar o trabalho.
Ficaram exercendo outras profissões, por um tempo, até que conheceram a Eliziane – atual representante da dupla – que os colocou em contato com o Café Mineiro, que os contratou. Lá, vinham apresentando-se aos sábados, sendo transferido na última semana para as sextas-feiras, animando as Sextas Country.

Nova fase – Eles se preparam para uma nova fase: estão montando uma banda “para dar mais qualidade ao traba-lho”. A banda será formada por Bruno (voz), Bryan (voz e violão), Renatinho (teclado), Judson (sanfona) e Alessandro (guitarra e contrabaixo).

O segmento de atuação mais forte da banda continua o mesmo: forró e sertanejo. “Mas isso não significa que não podemos fazer shows em outros estilos. Nós temos na banda músicos que cantam outros ritmos. Seremos uma banda eclética”, afirma a dupla, que mais uma vez vê sua carreira tomando novos rumos. E eles continuam em busca do sonho, com a viola embaixo do braço e a determinação sertaneja dentro do peito.

Em tempo
Qualquer contato pode ser feito através do telefone (954) 394-2085. O trabalho da dupla pode ser conferido todas as sextas, no Café Mineiro. Bruno também mostra seu talento no programa Som Brasil, de segunda a sexta, das 5h às 9h, na Rádio Brasil.