Bush diz que não sabia de ameaça ao Paquistão

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Presidentes Musharraf e Bush tiveram encontro em Washington

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta sexta-feira ter sido surpreendido pelas alegações do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, de que os americanos ameaçaram bombardear o Paquistão em 2001.
Em uma entrevista coletiva após uma reunião entre os dois líderes na Casa Branca, Bush disse que ficou sabendo do assunto pela imprensa.

No encontro, Bush e Musharraf enfatizaram a confiança mútua. O Paquistão foi um dos aliados mais importantes da invasão americana no Afeganistão em 2001, mesmo tendo sido um dos apoiadores do regime talibã até então.

Em entrevista ao canal de televisão americano CBS, divulgada na quinta-feira, Musharraf disse que os Estados Unidos ameaçaram bombardear o Paquistão “até o país voltar à idade da pedra”, caso não apoiasse a luta contra a organização extremista Al-Qaeda após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Autobiografia

O aviso teria sido feito pelo vice-secretário de Estado americano, Richard Armitage, teria feito a ameça ao diretor de inteligência do Paquistão.

Pervez Musharraf está lançando sua autobiografia na próxima semana, e o livro deve conter mais detalhes sobre o ocorrido.

Na coletiva desta sexta-feira, Bush disse não saber sobre o assunto e, na seqüência, o paquistanês provocou risos entre os jornalistas ao dizer que ele tinha um “acordo de honra” com o seu editor e que, portanto, não pode discutir detalhes do seu livro.

O paquistanês disse também que o recente acordo entre grupos da fronteira com o Afeganistão não era uma negociação com a milícia Talebã.

“O acordo é contra o Talebã. Esse acordo é com os líderes tribais”, disse o presidente. Ele também afirmou que discutiu com Bush uma intensificação do processo de paz no Oriente Médio.

Alguns analistas disseram que os comentários de Musharraf à CBS foram feitos para gerar interesse do público no seu livro.

De acordo com o correspondente da BBC em Washington, Jonathan eale, Musharraf usou a entrevista à televisão americana para se distanciar da Casa Branca, já que ele estaria sob pressão interna.