Bushes entram no debate sobre imigração

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Irmãos acreditam que uma reforma imigratória os ajudaria a recuperar sua influência no Partido Republicano

DA REDAÇÃO, COM NYT – Depois de anos com muito poder e influência política, nenhum membro da família Bush atualmente tem um cargo público.

Mas quando o foco numa ação militar na Síria traz de volta a política belicista do ex-presidente George W. Bush no Iraque, a família Bush está de mansinho mas de maneira decisiva girando o debate para outro tema: a luta no Capitólio sobre uma lei abrangente da reforma imigratória no país — uma discussão crítica para proteger o legado dos Bushes naqueles que tem sido, há decadas, um assunto em pauta para eles.

Em julho, Bush, que tem evitado os holofotes políticos desde que deixou a Casa Branca, foi a uma cerimônia de naturalização para os recém-cidadãos na biblioteca presidencial em Dallas.

O ex-governador da Flórida, Jeb Bush, seu irmão, está viajando pelo país para fazer discursos e escrever artigos opinativos relacionados ao seu recente livro, “Immigration Wars”, escrito juntamente com Clint Bolick, em que argumenta a favor de mudanças na lei.

E os dois filhos de Jeb Bush estão aproximando-se dos hispânicos. George P. Bush, 37, é fundador de um comitê de ação política Republicanos Hispânicos do Texas devotado a promover os hispânicos na política do Texas, e está concorrendo como candidato para o posto de responsável pelo uso do solo no Texas (land commissioner). Jeb Bush Jr., 29, é o fundador do Sun PAC, um grupo da Flórida que recruta candidatos políticos conservadores de origem hispânica.

Para os Bushes, a imigração é um assunto pessoal. A família escolheu fixar suas raízes políticas no Texas, e a mulher de Jeb Bush, Columba, é da cidade de León, no centro do México. George Bush pai de maneira carinhosa uma vez referiu-se aos três netos mexicano-americanos como os “marronzinhos”.

Agora, quando o Partido Republicano enfrenta dificuldades para atrair eleitores hispânicos, membros da dinastia Bush parecem mais determinados do que nunca a exercer influência sobre um assunto que eles têm ajudado a moldar há anos.

Ligação histórica

“Há gerações, a família Bush tem estado conectada aos hispânicos pela história, pela geografia e por laços familiares e, em função disto, eles possuem um profundo conhecimento e uma sensibilidade crítica sobre as nuances culturais e os temas políticos que afetam a população”, disse Mark McKinnon, estrategista republicano que trabalhou nas duas campanhas presidenciais de George W. Bush. “Quando se trata de assuntos que afetam os hispânicos, a família Bush tem completo domínio”.

O envolvimento da família com os hispânicos também é uma jogada política esperta, provavelmente para empurrrar seu futuro político em 2016 e além. George W. Bush ganhou a reeleição para a Casa Branca em 2004 com 44 por cento do voto hispânico, um percentual que nenhum outro candidato presidencial republicano sequer chegou perto, e Jeb Bush é frequentemente mencionado como um provável candidato em 2016, em grande parte por causa de seu forte relacionamento com os eleitores hispânicos e do apoio a uma reforma imigratória abrangente.

Jeb Bush fala espanhol fluentemente e George W. fala menos, mas, segundo os amigos, “msem medo”.

Durante sua campanha de reeleição em 1998 para governador do Texas, Bush fez um esforço concentrado para ganhar El Paso, com sua enorme população hispânica; ele venceu no condado com mais de 50 por cento dos votos, e usou a vitória para se posicionar para uma disputa presidencial dois anos depois. “Quero ser conhecido como o candidato conservador que pode levar os votos hispânicos”, disse aos repórteres naquela ocasião.

George P. Bush disse em uma recente entrevista depois de um evento de campanha que cortejava o voto hispânico tanto do ponto de vista político como do moral, e esta é a coisa certa a se fazer.

“Meu tio obviamente pensava que seria uma importante estratégia para ele, não apenas para ganhar, mas para expandir o partido, expandir a base”, ele disse. “Para meu pai, pode ser um pouco mais pessoal, no sentido que ele é casado com ‘una mexicana’, e isto certamente muda a perspectiva da pessoa. Mas, na Flórida, a densidade demográfica é similar ao que se vê no Texas, então tem sido importante tanto do ponto de vista político como do pessoal.”

Livro de Jeb Bush

No prefácio de seu livro, Jeb Bush escreve o que a imigração significa para minha esposa e família”.

“É uma estratégia de marketing inteligente”, disse Henry Bonilla, que é hispânico e ex-membro republicano da Câmara Estadual do Texas.

“Seja um negócio político ou empresarial, há aqueles que entendem a diversidade da nação e a sapiência de ser inclusivo, e aqueles que não, e isto faz parte da cultura inata dos Bushes desde o princípio.”

A afinidade da família Bush com os assuntos hispânicos vem sendo passada através de gerações, começando com o atual patriarca. Como presidente do Comitê Nacional Republicano, George Bush ajudou a fundar a Assembleia Hispânica Nacional Republicana no início dos anos 70, como parte de um esforço para envolver os hispânicos nas políticas do Partido Republicano.

Mas as experiências desenvolvidas da família com os hispânicos vieram duas décadas mais tarde, quando o velho Bush mudou-se com sua família das sociedades elitistas de New Haven para uma poeirenta cidade de petróleo no oeste do Texas. De acordo com os amigos, os imigrantes que os Bushes encontraram lá eram muito parecidos com eles mesmos trabalhadores dedicados que tinham ido para o Texas em busca de uma vida melhor.

“Acho que para o presidente George W. Bush, tendo crescido no oeste do Texas, que vê pessoas trabalhando duro, que vê imigrantes, tanto legais como ilegais, trabalhando para dar uma vida melhor às suas famílias, isto tem um impacto, disse Karen Hughes, que trabalhou para Bush no escritório do presidente e na Casa Branca.

Em seu livro “Decision Points”, George W. Bush diz que a faxineira mexicana de sua família, Paula Rendón, que foi contratada quando ele tinha 13 anos, era como uma “segunda mãe”. Ela mais tarde teria se tornado a inspiração para sua postura como administrar a política de imigração, ele admitiu.

Em suas carreiras políticas, tanto ele como Jeb adotaram políticas educacionais que dizem ter beneficiado as minorias. E antes dos ataques de 11 de Setembro, Robert Draper, autor de um livro sobre a presidência do Bush mais novo, divulgou que uma das prioridades do governo de Bush era enfrentar a imigração; a Casa Branca estava tão comprometida, ele escreveu, que “em todo o ano de 2001, o assunto de anistia para imigrantes ilegais surgia frequentemente nas reuniões na Casa Branca”.

O fato é que a pressão pela imigração do 43º presidente — que falhou em 2006 e 2007 — está sendo tentada novamente agora, dizem os amigos, e isto é uma evidência de que ele estava à frente de seu tempo.

John Weaver, estrategista republicano que trabalhou nas campanhas presidenciais do primeiro presidente Bush e do senador John McCain do Arizona, confirmou que o tema era um dos principais na agenda dos Bushes.

Mas, Weaver acrescentou: “Se a Câmara efetivamente matar uma reforma de imigração abrangente neste estágio, será um retrocesso para gerações, se não for mais. E o legado de Bush certamente parecerá mais brilhante para as pessoas do que quando ele deixou o poder e não podem voltar atrás, então talvez o momento seja agora.”