Calor no deserto mata mais cinco imigrantes

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Corpos foram encontrados na Califórnia e no Arizona

Mais cinco corpos de indocumentados – provavelmente mexicanos – foram encontrados por agentes da polícia da fronteira (Border Patrol) nos desertos dos estados da Califórnia e do Arizona. As mortes aconteceram poucos dias depois de ativistas denunciarem a destruição de galões de água por parte de antiimigrantes, justamente nos caminhos usados na travessia da fronteira entre o México e os Estados Unidos.
Os agentes da área de Tucson (Arizona) resgataram três corpos na localidade de Tohono O’odham, bem próximo à fronteira; já na Califórnia, os cadáveres estavam no deserto de Ocotillo. Segundo os policiais, a temperatura média nestas regiões pode ultrapassar os 45º C, ou 113 graus Fahrenheit, e a causa das mortes dos cinco imigrantes é a insolação. Por isso, as autoridades mexicanas têm alertado sobre os perigos da travessia.
Apesar disso, um patrulheiro do Arizona, David Haver, disse que o número de indocumentados tentando entrar ilegalmente nos EUA não vem diminuindo. Ele revelou que um dos mortos na semana passada era uma jovem de 25 anos de idade, que enfrentava a travessia com o pai, que também morreu no deserto. Na Califórnia, o agente Quinn Palmer contou que o resgate dos dois corpos só foi possível graças ao aviso de um indocumentado, que, apesar dos sintomas de insolação, conseguiu chegar a um posto policial e avisar que os amigos haviam ficado pelo caminho. “O calor parece um inferno e mata”, enfatizou Teodoro Aguiluz, diretor do Centro de Recursos Centro-americanos.

Travessias frustradas

De acordo com os dados oficiais, 109 imigrantes morreram no deserto do Arizona, desde outubro de 2007 (início do ano fiscal americano), e outros 67 no Texas, em tentativas frustradas de travessia. Desde 1998, já são mais de 2.800 mortos antes de alcançar o sonho da América. Muitos deles não imaginavam que enfrentariam situações tão adversas. “Trata-se de uma caminhada de três dias, sem brisa geralmente, mas os coiotes costumam dizer aos indocumentados que pode ser feita em poucas horas”, afirmou Daniel Doty, da Patrulha da Fronteira.

Há poucos dias, o diretor da organização Anjos da Fronteira, Enrique Morones, alertou que vândalos destruíram pelo menos 120 galões de água deixados em rotas usadas por indocumentados. Na ocasião, Morones chegou a afirmar que o ato foi cometido por pessoas que não se importam com a morte de outros seres humanos, numa previsão que acabou se confirmando. A água estava num dos 40 pontos – chamados de estações – usados pelos imigrantes durante a travessia, que são verdadeiros oásis no deserto, onde é possível encontrar sombra e água para, muitas vezes, evitar insolação e outros problemas.