Capoeira é, agora, Patrimônio Cultural Brasileiro

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Iniciativa do Iphan enaltece expressão que é um símbolo nacional pelo mundo

Depois de cerca de 300 anos de história no Brasil, a capoeira foi reconhecida como Patrimônio Cultural Brasileiro. A proposta do registro foi aprovada em reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em Salvador, a partir de um pedido feito pelo Ministério da Cultura. Para o presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, o reconhecimento é um passo para que se estabeleçam políticas públicas concretas para a atividade.

Uma das próximas medidas para a preservação da capoeira, além do plano especial de previdência, será o estabelecimento de um programa de incentivo da atividade no mundo e a criação de um Centro Nacional de Referência da Capoeira, com sede em na capital da Bahia. “Vamos transformar a cidade em uma espécie de Meca da capoeira”, prometeu Almeida.

A sessão que determinou a ascenção da capoeira a Patrimônio Cultural ocorreu no Palácio Rio Branco, onde mais de 20 grupos de capoeiristas fizeram uma grande roda. No mesmo dia, no Teatro Castro Alves, foi realizado um show para homenagear a capoeiragem, com a participação de Roberto Mendes, Mariene de Castro, Wilson Café, Ramiro Musotto, além do percussionista pernambucano Naná Vasconcelos e do mestre capoeirista Lourimbau. Também no Castro Alves foi aberta a exposição Na Roda da Capoeira.

“O Ministério da Cultura já havia tombado a ciranda e a tapioqueira, que são patrimônios vivos. A iniciativa de tombamento faz as coisas não desaparecerem, fica um registro importante e as pessoas tomam consciência da importância da cultura local”, disse o percursionista Naná Vasconcelos.

Os registros mais antigos da capoeira vêm do século 18, quando a atividade era praticada por escravos, sobretudo os vindos de Angola. O esporte-dança foi considerado crime até o fim da década de 1930. Só a partir de lá começou a alçar a fama – hoje estendida a cerca de 150 países. Agora, passa a ser um dos 14 patrimônios culturais do País, junto com o frevo, o samba carioca e o ofício das baianas de acarajé, entre outros.