Carnaval de invasões em São Paulo

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Dissidentes do MST ocupam 20 fazendas no Pontal do Paranapanema

O líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha Júnior, quer que o governo federal assuma a reforma agrária no estado de São Paulo. Rainha, que liderou durante o feriado da folia a ocupação de 20 fazendas na região do Pontal do Paranapanema, sob a bandeira “Carnaval vermelho”, criticou o “descaso e a falta de eficiência” do governo paulista nos assentamentos. Rainha explicou que existem áreas que estão há quatro anos à espera de uma licença ambiental para a ocupação dos sem-terra. Em contrapartida, segundo ele, os usineiros não encontram dificuldade para conseguir licenças antecipadas de trabalho nas terras.

A ocupação durante o carnaval foi realizada em 20 fazendas de 15 municípios por dois mil militantes. A Polícia Militar confirmou apenas 11 ocupações, que foram acompanhadas por agentes de três batalhões. Foram invadidas sete fazendas em Presidente Prudente, duas em Martinópolis, três em Presidente Bernardes, uma na cidade Ietê e outra em Rancharia. Em Presidente Venceslau, os sem-terra tomaram outras três propriedades, nos municípios de Euclides da Cunha, Santo Anastácio e Mirante do Paranapanema. Em Dracena, foi tomada a Fazenda das Cobras.

De acordo com a PM, não há registro de conflitos entre sem-terra e fazendeiros, já que as ações teriam sido pacíficas. As fazendas, segundo o movimento, seriam improdutivas e estariam em processo de desapropriação pelo Incra ou consideradas terras públicas reivindicadas pelo estado.

Rainha disse que o movimento é um protesto contra portarias do governo do estado que tratam da regularização dos assentamentos e das pessoas que vão ocupar a terra. “O projeto de lei legaliza as terras públicas ocupadas por posseiros, o que reduz o número de assentamentos para a reforma agrária”, disse Rainha. Sobre a dissidência no MST, que o coloca à parte da liderança, ele disse que faz parte do movimento sem