Casa Branca analisa futuro fechamento de Guantánamo

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A Casa Branca reconheceu nesta sexta-feira que avalia o futuro da prisão americana na base naval de Guantánamo, em Cuba, sem no entanto fixar a data de um eventual fechamento.

O anúncio foi feito depois que alguns veículos de comunicação afirmaram nesta quinta-feira que o governo do presidente dos EUA, George W. Bush, considera o fechamento imediato da penitenciária. A Casa Branca descartou esta possibilidade ao declarar que “não há decisões iminentes” sobre o futuro de Guantánamo.

Uma reunião dos principais membros do gabinete de governo estava prevista para acontecer nesta sexta-feira na Casa Branca, mas foi cancelada ontem após a circulação dos rumores sobre Guantánamo.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, admitiu hoje diante da imprensa que o governo americano quer resolver o assunto rapidamente e reiterou que não há nenhuma data estabelecida para fechar a prisão militar.

“Todo mundo está trabalhando para conseguir o objetivo que foi fixado pelo presidente, que é fazê-lo `fechar Guantánamo` o mais rápido possível”, afirmou Perino.

Posição oficial

George W. Bush afirmou em várias ocasiões que defende o encerramento das atividades do centro de detenções, “mas de maneira responsável”.

O presidente disse que a prisão de Guantánamo é necessária na guerra contra o terrorismo, mas reconheceu que a cadeia prejudicou o prestígio dos Estados Unidos no exterior.

“Os Estados Unidos não têm nenhuma intenção de ser o carcereiro do mundo”, disse Perino. A porta-voz da Casa Branca também lembrou que o governo anunciou planos para libertar aproximadamente 80 dos cerca de 400 detidos e transferir 12 afegãos em breve para o seu país.

O Pentágono informou hoje que outro detido foi levado para Guantánamo e acrescentou que fará o possível para reduzir o número de presos na prisão.

Condoleezza Rice

Atualmente, Guantánamo registra o menor número de presos em seus cinco anos de existência.

Dana Perino afirmou que Bush ordenou à secretária de Estado, Condoleezza Rice, que trabalhe com seus colegas de outros países para repatriar os detidos e garantir que os presos serão tratados de maneira humana e não cometerão atos de terrorismo.

O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, afirmou que Rice continua trabalhando no assunto, enquanto ela debate com outros membros do Executivo como enfrentar as questões de segurança que surgem com um futuro fechamento de Guantánamo.

“O presidente disse que não quer outra coisa senão fechar Guantánamo, mas há alguns passos prévios difíceis de serem dados antes de conseguir este objetivo”, ressaltou McCormack.

“Em Guantánamo há pessoas muito perigosas que não podem ser deixadas andando livremente por aí”, acrescentou.

Pentágono

O porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman, afirmou que o secretário de Defesa, Robert Gates, apóia o fechamento da prisão militar.

Por outro lado, há partidários da manutenção do funcionamento do local, como o vice-presidente, Dick Cheney, e o secretário de Justiça, Alberto Gonzales.

“Acho que todos no governo e provavelmente a maioria dos americanos querem que um lugar como Guantánamo não exista”, disse Whitman.

E prosseguiu: “permanece o fato de que ali há gente muito perigosa (…) que jurou que voltará a lutar se for libertado, e indivíduos que cometeram crimes de guerra que deveriam responder pelo que fizeram”.