A recente transferência de um imigrante para a custódia do ICE voltou a colocar em debate a atuação de forças policiais locais em questões migratórias na Flórida. O caso, que começou após um chamado aos serviços de emergência no condado de Palm Beach, ganhou repercussão neste mês depois do encerramento do processo criminal na esfera local.
O episódio aconteceu em dezembro de 2025, quando o hondurenho Axel Sanchez Toledo acionou o 911 para pedir ajuda para a filha de quatro anos. Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Palm Beach, os agentes que atenderam a ocorrência fizeram a checagem de rotina e consultaram o status migratório dele.
Apesar de ter um processo de asilo em andamento junto às autoridades federais, Toledo tentou deixar o local durante a abordagem. Ele acabou detido e acusado de resistir à prisão com violência. A divulgação do caso só ocorreu meses depois, por conta da tramitação do processo criminal no condado. Em abril deste ano, os promotores locais aceitaram retirar as acusações após um acordo formal de desculpas apresentado pelo imigrante.
Mesmo com o caso encerrado na esfera criminal, Toledo permaneceu sob custódia no sistema prisional local e foi transferido para o ICE em 1º de maio, onde agora aguarda o processo de deportação.
O desfecho está ligado ao Programa 287(g), parceria entre autoridades locais e o governo federal que permite que policiais do condado atuem em cooperação com o ICE. Dentro desse acordo, agentes recebem treinamento para checar o status migratório de pessoas detidas e podem auxiliar na transferência de custódia para o governo federal.
Organizações comunitárias afirmam que situações como essa podem gerar medo entre moradores em situação vulnerável, levando algumas pessoas a evitarem acionar serviços de emergência, como ambulância e bombeiros, mesmo em casos de risco à saúde ou de vítimas de crimes.
Com informações Miami Herald.
