Catástrofe é a maior já registrada na região e atingiu inclusive família de brasileira de Boca Raton

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Temporais matam mais de 400 no RJ

Entre as mais de 400 vítimas fatais da tragédia que atingiu a Região Serrana no Rio de Janeiro esta semana estão parentes da brasileira Fernanda Martins, moradora de Boca Raton e que frequenta a Primeira Igreja Batista de Pompano Beach. Ela conta que a casa da família dela em Nova Friburgo foi invadida pela tromba d’água, resultando na morte de seis pessoas, entre elas a irmã de Fernanda, Sara, três sobrinhos com idades de 8 a 15 anos, e o cunhado.

“Estou vivendo um pesadelo, às vezes acho que vou acordar e ver que nada disso aconteceu”, disse Fernanda, muito abalada. A família morava no bairro Jardim Califórnia, numa casa de quatro andares, que foi totalmente destruída pela enxurrada. Os familiares serão enterrados nesta sexta-feira e ela lamenta que não possa estar na cidade onde cresceu, confortando a mãe e o pai.

Conforto, aliás, que ela e a família têm recebido dos amigos da PIB. “É tudo muito triste. A casa da família da Fernanda era boa, mas a chuva foi muito forte. Vamos orar para que Deus esteja consolando e restaurando aquele povo”, disse Silair Almeida. A Igreja, por sinal, vai levantar uma oferta especial para ajudar as vítimas das chuvas. O dinheiro será levado pessoalmente pelo Pastor, que está de viagem marcada para o Rio de Janeiro nesta segunda-feira. “No domingo pela manhã vamos prestar uma homenagem a Nova Friburgo e toda a região, com um minuto de silêncio às vítimas”, destacou Silair.

Além de Fernanda, outras brasileiras também têm parentes na Região Serrana. Mônica Birro, por exemplo, perdeu amigos e familiares no bairro Bom Pastor. “O volume da represa naquela vizinhança subiu muito e cedeu com a enxurrada”, contou Mônica, que pelo menos ficou tranquila ao falar com a mãe, que mora na localidade de Olaria, também em Nova Friburgo. Do mesmo modo, Vânia Oliveira passou momentos de apreensão por não conseguir contato com a família. Depois de muitas tentativas, ela finalmente conversou com parentes, mas não esconde a tristeza por ver sua cidade destruída.

Drama de Fernanda

O drama de Fernanda, Mônica e Vânia é apenas um detalhe da catástrofe que deixou toda a Serra Fluminense em estado de calamidade. Teresópolis e Petrópolis também foram atingidas, especialmente por serem regiões onde há muita ocupação irregular. Graças a essa irresponsabilidade dos governos e também à questão natural das chuvas intensas, pelo menos seis mil famílias ainda estão em áreas consideradas de risco. O governo federal prometeu a liberação de 780 milhões de reais para o Rio e São Paulo, estado que também foi duramente castigado pelos temporais de verão. O dinheiro será usado para socorrer as vítimas, reconstruir pontes e estradas e ainda garantir obras de infraestrutura nos locais mais atingidos.

A situação pode se agravar, pois a chuva não para. “É desolador. Máquinas ajudam a remover os escombros e acionamos helicópteros para chegar a pontos onde os bombeiros não conseguem alcançar por terra. Há cidades isoladas e o número de mortos pode subir”, admitiu o vice-governador e Secretário estadual de Obras, Luiz Fernando Pezão. A presidente Dilma Roussef foi ao Rio para acompanhar os trabalhos de resgate e prometeu agir com rapidez na liberação de verbas.

No ano passado, o governo federal havia prometido 425 milhões de reais para o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, mas o Ministério da Integração Nacional só aplicou pouco mais de um terço do dinheiro e o Estado do Rio recebeu apenas 0,6% do montante. O objetivo da iniciativa era de dar apoio a obras preventivas de desastres/contenção na Região Serrana, mas os recursos que poderiam evitar ou minimizar a tragédia não chegaram.

Ao contrário das tragédias recentes na região, os desabamentos não atingiram apenas as comunidades mais carentes. Em Itaipava, na região de Petrópolis, por exemplo, o local mais castigado foi um condomínio de luxo. Lá morreram uma estilista e seus parentes e um executivo de um banco de investimentos que passava férias com a família. Até os cavalos de raça de um haras morreram. “Não foi possível escolher o que ia cair. Casa de rico, casa de pobre. Tudo foi destruído” descreveu a empregada doméstica Fernanda Carvalho, que conseguiu sobreviver ao pesadelo.

Outras dificuldades

Na busca pelos mortos e tentando reconstruir suas vidas, os moradores da Região Serrana terão que conviver com outros dificuldades. A mais imediata delas é a falta de energia: o temporal e os desmoronamentos que afetaram a fiação elétrica deixaram mais de 75 mil consumidores sem luz. Até hospitais estão às escuras. Um outro problema são as doenças decorrentes dos alagamentos e o acúmulo de lixo nas ruas, que podem ser um foco de agentes infecciosos. Patologias como leptospirose, diarreias e até hepatite certamente vão se multiplicar entre os moradores da Região Serrana. “É inevitável depois de uma situação como a que eles estão vivendo”, disse o médico infectologista Marcelo Livtoc.


Como ajudar as vítimas das enchentes no Rio de Janeiro:

PIB Flórida – 954-783-0119
Campanha S.O.S. Sudeste
Banco do Brasil
Ag. 3475-4
CC 32.000-5