Cidade italiana se reinventa ao abrir portas para imigrantes e vira modelo de integração

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Na Calábria, prefeito ofereceu abrigo, escola e emprego a indocumentados africanos

O prefeito de Riace, na região da Calábria (Itália), encontrou uma forma de evitar que o êxodo de moradores colocasse em risco a saúde financeira do município. Mesmo num local onde as tensões raciais motivaram vários ataques na última década, Domenico Lucano abriu os braços e as portas da cidade para os refugiados africanos dos que desembarcam constantemente nas praias italianas, oferecendo emprego e escola aos indocumentados.

A iniciativa é pioneira no país e, quem sabe, na comunidade europeia. O programa vem atraindo atenção internacional e Domenico foi apontado, recentemente, um dos três melhores prefeitos do mundo. A cidade que ele administra em sua segunda gestão já recebeu o apelido de Citta Futura – ou Cidade do Futuro.

Tudo começou há 12 anos, quando ele ” na época professor de uma escola ” viu um grupo de refugiados curdos desembarcando na praia próxima da cidade, que fica nas encostas de uma montanha de onde se avista o mar Jônico. No início, Domenico ajudou a arranjar abrigo para os imigrantes e, seis anos mais tarde, quando foi eleito prefeito, colocou em prática o programa que está revitalizando Riace. “Esta era uma cidade fantasma, mas tudo mudou depois da chegada daquele barco”, diz o prefeito.

Hoje, mais de 200 refugiados de doze países africanos (principalmente da Somália e Etiópia) trabalham e vivem na localidade junto aos cerca de dois mil moradores locais. Várias casas, abandonadas durante décadas, hoje funcionam como ateliês de artesanato ou moradias para os refugiados. A escola local foi reaberta e hoje é frequentada pelos filhos dos refugiados.”Eles me deixam orgulhoso e me dão esperança de que esse lugar tenha um futuro”, assinalou Domenico.

Mas nem todos aprovam o projeto do prefeito. A máfia calabresa, por exemplo, tem tentado intimidar os indocumentados pois o programa tem ameaçado a organização e chamado a atenção para a região. No ano passado, os imigrantes também foram vítimas de grupos conservadores e pelo menos dois confrontos deixaram dezenas de feridos. Mas, se depender do prefeito, o caminho da integração não tem volta.