Cientista brasileira é premiada nos EUA

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Maria Ishida foi reconhecida por seu trabalho em laboratórios para detecção de bactérias em alimentos

Joselina Reis

A cientista brasileira Maria Ishida foi a grande vencedora do prêmio de Liderança Emergente da Associação Nacional de Laboratórios de Saúde Pública Americana (APHL). A premiação é concedida a pessoas que se destacam pelo seu trabalho em laboratórios participantes da associação. Desde 2007, Ishida trabalha com controle de alimentos do “Bureau of Food Laboratories”, setor integrante do Departamento de Agricultura da Flórida (FDACS).

A associação nacional oferece premiação todos os anos em sete categorias. Em 2012, Maria Ishida foi a única representante da Flórida a concorrer. Ela lembra que, no Brasil, nunca havia atuado na mesma área, somente no meio acadêmico, mas sua personalidade é a de aceitar desafios. “Sempre fui guiada por desafios e nunca deixei o idioma ser uma barreira”, conta.

A cerimônia de entrega do prêmio, uma placa de reconhecimento, foi realizada em maio deste ano em Reunião da APHL em Seattle, WA. A doutora Ishida é graduada em Biologia e concluiu programa de mestrado e doutoramento em Bioquimica/Biologia Molecular pela Universidade Federal do Paraná (totalizando 21 anos de estudo desde o ensino primário). Maria Lucia já havia sido premiada em 1997 pela sua produtividade em pesquisa, quando ainda trabalhava em iniciação cientifica.

Para a cientista, o prêmio pode ser um passaporte para voos mais altos em sua carreira. Ela, que já é surpervisora no Departamento de Agricultura na Flórida, agora está atenta a oportunidades em instituições federais. “Isso prova que a educação no Brasil é de alto nível e que nós podemos concorrer com qualquer profissional. Não intimide-se com nada”, aconselha.

Maria Ishida mudou-se para os Estados Unidos em 2002 acompanhando o marido que havia recebido um convite de trabalho. Quando chegou à Flórida, trabalhou com programas ligados a agricultura junto à Universidade da Flórida. Em 2007, a cientista foi convidada a integrar o grupo de estudo e controle de alimentos do “Bureau of Food Laboratories”, setor integrante do Departamento de Agricultura da Flórida (FDACS). A partir daí, seu trabalho de liderança na implementação de técnicas rápidas de biologia molecular vem chamando atenção dos colegas cientistas.

Natureza de seu trabalho

Maria Ishida trabalha com detecção de surtos de doenças causadas por bactérias que contaminam os alimentos. Amostras de alimentos de diversas partes do estado da Flórida são enviadas diariamente para o laboratório em Tallahassee. Neste laboratório, profissionais de varias áreas (Microbiologia/Biologia Molecular e Química) analisam as amostras e detectam micro-organismos ou componentes químicos que podem fazer a população doente. Dentre suas funções, a Dra. Ishida coordena o grupo responsável em determinar ligações entre alimentos contaminados e pessoas doentes através da caracterização genética da bactéria (Bacterial DNA fingerprinting) o que é crucial para determinar a origem de surtos epidêmicos.

Ela lembra com orgulho, quando em 2007, seu grupo de trabalho determinou o perfil genético de uma bactéria encontrada em sanduiche de salada de frango na Flórida, onde uma pessoa havia sido contaminada e adoeceu. A informação foi para o banco nacional de dados e descobriu-se que o alimento era amplamente vendido no país e que outros casos de contaminação já haviam ocorrido nos Estados Unidos. Graças à atuação do seu grupo de pesquisa, a empresa fornecedora da carne de frango foi obrigada a retirar o produto do mercado (mais de 200,000 recalls).”Trabalhamos nos bastidores por quatro meses, mas o trabalho teve efeito, possivelmente centenas de pessoas foram poupadas da contaminação”, acredita.

A Associação Nacional de Laboratórios de Saúde Pública Americana (APHL) é uma organização não governamental que representa laboratórios públicos que monitoram e detectam possíveis perigos à saúde pública. O prêmio da APHL é concedido apenas uma vez a cada indivíduo.