Cláudia Oliveira

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Artistas da comunidade desta edição abre passagem para a bailarina e coreógrafa brasileira Claudia Oliveira. Essa bela goiana, durante um bate-papo gostoso, falou conosco sobre sua vida, sua história, seus sonhos, seu trabalho e amor pela dança. Com sua alegria, amor e orgulho pelo trabalho que faz, Cláudia conquistou a todos na redação do AcheiUSA. Confira, caro leitor:

AcheiUSA – Há quanto tempo você dança?
Cláudia –
Danço profissionalmente há 10 anos, mas sempre estive envolvida com a dança. Comecei bem cedo, aos 5 anos de idade, com aulas de ballet clássico. Na adolescência, passei a me dedicar ao ballet moderno e ao jazz pois, como toda adolescente que se preza, não conseguia mais conciliar minha vida com a disciplina rígida exigida pelo ballet clássico. Na faculdade (me formei em Educação Física pela ESEFEGO) me apaixonei por danças folclóricas brasileiras. Essa paixão foi tão grande que até hoje faz parte da minha vida. Integro o grupo de bailarinos do show do Brazilian Tropicana, em Pompano Beach, Florida. Minha família apóia e sempre apoiou o meu trabalho pois eles sabem o quanto para mim é importante dançar e divulgar a cultura brasileira aqui nos Estados Unidos e em todas as partes do mundo.

AcheiUSA – Como e desde quando você faz parte deste show?
Claudia –
Integro o grupo há dez anos. Fui convidada pela coreógrafa e bailarina Dalva Lima, diretora do grupo Sambalanço e do Brazilian Tropicana Restaurant Show Group para fazer parte do elenco. A partir deste envolvimento profissional nasceu uma grande amizade e parceria entre nós. No grupo sou bailarina e “co-coreógrafa”. Isto é, também participo na criação de coreografias do show. Neste show desenvolvemos um trabalho de exposição total da rica cultura brasileira. Fazemos questão de envolver todas as formas de danças das diversas regiões do Brasil. Temos quadros de lambada, gafieira, samba, frevo, axé, forró, xote, xaxado, afro,carnaval e um tributo à Pequena Notável Carmen Miranda. Tudo temperado com coreografias de alto nível, muitas plumas, brilho e a alegria, a beleza e o gingado brasileiro.

AcheiUSA – Você tem algum ídolo no qual se espelhou para seguir esta carreira?
Claudia –
Citar somente um ídolo é muito difícil, pois tenho tantos… Mas posso citar como principal ídolo a Carmen Miranda. Se nós formos ver bem, ela foi a precursora do trabalho que faço de expor a nossa cultura. Com seus balangandãs, seu suingue, sua brejeirice, ela pode ser nominada como uma espécie de pioneira e embaixadora informal da cultura verde-amarela aqui (apesar de ter nascido em Portugal e ter ido viver no Brasil aos três anos de idade). Até hoje ela é lembrada, citada e amada pelos americanos e europeus. E muito!

AcheiUSA – No show do Tropicana você faz o número da Carmen Miranda. Em quais outros números você participa dançando?
Claudia –
Participo dos quadros de lambada,Timbalada e de quatro números de samba.

AcheiUSA – O que cansa e/ou gratifica mais: ser coreógrafa ou bailarina?
Claudia –
Tanto o trabalho de coreógrafa como o de bailarina requerem muita responsabilidade, disciplina e dedicação. Ambos são desgastantes e exaustivos mas imensamente “prazeirosos”! Depois, quando vemos o trabalho todo pronto,a alegria e receptividade do público, é como se fosse um sonho que virou realidade.

AcheiUSA – Por falar em receptividade do público, quais as características das pessoas que vão ao show?(nacionalidade, raça, faixa etária,etc)
Claudia –
Não existe um público específico. Tem todo tipo de gente: brancos/negros/amarelos, novos/velhos, republicanos/democratas, asiáticos, europeus, americanos, latinos de todas as partes. E brasileiros. E o melhor de tudo é que todos gostam do trabalho que fazemos e ficam fascinados pela cultura brasileira. Graças a Deus todos os dias recebemos elogios do público. Tem clientes que vão ao restaurante por anos e anos e nos confessam que não se cansam de ver tanta energia e alegria. É recompensador ouvir isso!

AcheiUSA – Nossos leitores que ainda não foram vê-la no show devem estar curiosos. Quais os dias e horários?
Claudia: –
Os shows são de quinta a domingo. Sendo que às sextas e sábados temos dois shows por noite. Temos um público, em média, de duzentas pessoas por show.

AcheiUSA – Nestes dez anos de América, quantos shows você acredita que já fez?
Claudia –
Desde que cheguei aqui nunca parei de trabalhar. Acredito que já tenha feito um pouco mais de três mil shows. Puxa! Até me assusto quando me dou conta de que já se passaram dez anos… Além do Tropicana, já trabalhei em um vídeo clip com o cantor brasileiro Alexandre Pires e da cantora cubano-americana Gloria Stefan, além de participações e aparições, como bailarina convidada especial, em algumas festas de carnaval.

AcheiUSA – Dos trabalhos feitos, qual o que você considera o mais importante?
Claudia –
Sem querer desmerecer os demais trabalhos que já fiz, sem dúvida alguma, o mais importante para mim é o do Tropicana? Por que? Porque neste show eu tenho tido a oportunidade fazer o que mais gosto (dançar) e de divulgar a cultura do meu país. Isso sem falar nos amigos que fiz, dentro e fora do elenco, ao longo deste anos.

AcheiUSA – E qual foi o trabalho mais emocionante?
Claudia: –
Algum tempo atrás nós fizemos um show especial para crianças excepcionais, a maioria com Síndrome de Down. Fica difícil descrever o tamanho da emoção que senti ao ver a carinha de felicidade daquelas crianças durante todo o show! Confesso que fiquei muito emocionada com a recepção tão calorosa que elas nos deram. Vou me lembrar deste evento por toda a minha vida.

AcheiUSA – Vida de bailarina é fácil?
Claudia –
Vida de bailarina é difícil. E muito. Disciplina, dedicação, amor ao que se faz, respeito ao público que nos assiste são requisitos essenciais. E ser bailairana brasileira aqui nos EUA também é difícil. Temos sempre que estar provando o tempo todo que não somos somente bonitas ou sensuais. Temos que provar e mostrar nosso profissionalismo sempre.

AcheiUSA – Quais são seus planos profissionais pro futuro?
Claudia –
Eu estou muito contente com meu trabalho e com o reconhecimento que ele está tendo (Nota da redação: Claudia foi ganhadora do Brazilian International Press Award 2004 como destaque na dança). Espero dar continuidade ao que venho fazendo através de possíveis turnês fora da Flórida. Tenho planos de mostrar meu trabalho em outras cidades americanas. Tal como a música, a dança brasileira está num momento muito bom.Esta é a melhor hora para desbravarmos novos horizontes. E eu me sinto inteiramente preparada para desbravar esse novos caminhos.

AcheiUSA – Você tem o hábito de assistir espetáculos da dança, tipo os musicais da Broadway ,que às vezes são apresentados aqui?
Claudia –
Sim, sempre que posso. Minha agenda dificulta muito mas apesar de ter um horário apertado, consigo de vez em quando desfrutar de um ou outro espetáculo desse gênero. O último que vi foi “Moving Out”. E atualmente eu estou muito interessada em conhecer grupos folclóricos de ballet da Colômbia, de Cuba, do México, do Haiti e da Espanha pois esses grupos apresentam um trabalho de imenso valor cultural e divulgam tradições riquíssimas de seus países. Um intercâmbio artístico-cultural com eles seria fantástico.

AcheiUSA – Quais bailairinos/coreógrafos brasileiros do sul da Flórida que você conhece e que daria nota dez pelo trabalho que vêm desenvolvendo? E no Brasil?
Claudia –
Felizmente conheci muitos profissionais neste ramo por aqui e posso destacar dois que considero muito e que hoje são meus amigos e minha família: Dalva Lima e Roberto Dias. Gosto muito também do trabalho da coreógrafa carioca Carlota Portela.

AcheiUSA – Claudia Oliveira por Claudia Oliveira
Claudia –
Acredito que tenho uma missão nessa vida em relação ao meu trabalho como bailarina e coreógrafa: continuar a interpretar e a divulgar nossa cultura, levando-a para outros lugares e dando chance de muitas pessoas conhecerem a diversidade, a riqueza e a beleza da cultura do povo brasileiro.

AcheiUSA – Dê uma mensagem para as meninas e jovens que sonham com a vida de bailarina:
Claudia –
Nunca desistam de seus sonhos, de brilhar. Acreditem em vocês. Estudem, pratiquem. Algumas pessoas dizem: quem canta seus males espanta. Eu digo: quem dança os outros encanta!