Cláudio Spiewak

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Uma viagem pelo mundo dos sons

Antonio Tozzi

Caetano Veloso em um dos versos de “Tigresa” canta ‘Como é bom poder tocar um instrumento’. Sem dúvida, isto ficou marcado porque, incapaz de extrair som melodioso de qualquer maneira, fico a sonhar como deve mesmo ser bom tocar um instrumento.

Mas a vida é injusta, como diz o ditado. Por não ter nenhuma musicalidade, só resta admirar – com uma ponta de inveja, admito – aqueles que conseguem tocar não só um, mas vários instrumentos. É o caso do carioca Claudio Spiewak, mago do violão e da guitarra, mas que também sabe tocar baixo, teclados e percussão.

Desde os 11 anos de idade – ele tem 32 agora -, Claudio sempre teve o violão como companheiro, influência de sua mãe, professora de música e grande incentivadora. Mais tarde, estudou Jazz e Harmonia e começou a desenvolver seu trabalho. Em 1989, com apenas 17 anos de idade, ganhou o prêmio de “Melhor Guitarrista”, concedido pela Escola de Música Musiarte. Era o impulso que faltava para sua carreira desabrochar.

De repente, EUA. Paralelamente à música, Claudio sempre teve grande identificação com os Estados Unidos, país para o qual veio a passeio, pela primeira vez, aos 13 anos de idade. “Em 1989, fui para Nova York, onde fiquei alguns meses com um amigo, e depois disto fui retornando cada vez com mais freqüência até me mudar definitivamente. Já estou na Flórida há oito anos”, conta o instrumentista.

E, se o Rio de Janeiro lhe deu régua e compasso, foi nos EUA que Claudio começou a mostrar seu trabalho de maneira profissional. Pôde também exercer sua versatilidade. Músico por excelência, ele curte os mais variados tipos de ritmos. Toca Rock, Blues, Pop, Jazz, MPB e até Flamenco. “Para mim, a música é boa ou não, independente do ritmo.

Gosto de tocar aquilo que me dá prazer, seja que estilo for”, afirma.

Na verdade, o prazer não é só de Spiewak. É compartilhado pelos ouvintes que têm o prazer de deleitar-se com sua música instrumental. Na inauguração do Teatro TAM, em maio, ele foi o coordenador musical do evento e também brindou os convidados com o solo do clássico “Brasileirinho”.

Disco próprio. Por ter um estilo versátil e transitar com facilidade entre as diversos tribos musicais, Claudio não integra uma banda fixa. Prefere atuar como free lancer, trabalhando com diversos artistas em discos e shows. Ele também está na estrada divulgando seu mais recente CD, “Coisa Brasileira”, uma mistura de jazz acústico e música brasileira, indicado para os amantes da música instrumental. Por ser uma produção independente, não conta com um esquema profissional de marketing e distribuição. Então, os interessados podem adquirir o disco através do próprio website do artista: www.claudiomusic.com.

Em seu trabalho solo, “Jazz Brasileiro”, Claudio também mostra algumas composições suas. Spiewak não fica preso a um gênero também no momento de compor: “Tenho composições em vários estilos, desde o jazz brasileiro até música eletrônica, sempre dentro do meu leque de influências, é lógico”.

Por falar em influências, há algum ídolo ou tendência a ser seguida? Por sua universalidade e diversificação musical, Spiewak tanto pode curtir rap ou hip hop como música clássica, pop ou jazz: “Sinto que para cada momento diferente há estilos diferentes de música que se encaixam melhor”. Por isto, acha que o atual momento musical – tanto no Brasil como no mundo – vem mostrando uma fusão interessante entre estilos modernos e mais tradicionais. Num futuro próximo, acredita, os artistas deverão escapar da rigidez das grandes companhias e, assim, terão mais condições de liberar suas criatividades.

Grandes nomes. Em razão de sua adaptabilidade e de seu talento, Spiewak é sempre convidado para tocar com grandes nomes da música brasileira e internacional. Da lista de artistas que acompanhou, constam Julio Iglesias, Shakira, Jimmy Smith, Roberto Perera, Bebel Gilberto, Elba Ramalho, Leo Gandelman, Tim Maia, Antonio Adolfo, Peri Ribeiro e Nestor Torres, entre outros. Aliás, Spiewak vem apresentando-se com freqüência com Nestor Torres, vencedor do prêmio Grammy. No próximo dia 23 de outubro, eles se apresentarão na República Dominicana.

Um dos méritos dele é viver tão somente da música. Ele divide seu tempo entre concertos ao vivo, gravações e trabalhos de estúdio. Não é à toa que a fabricante brasileira de violões Giannini rescolheu Spiewak para ser seu garoto propaganda no seu reingresso no mercado americano. A Giannini instalou sua filial em Broward recentemente.

Em sua carreira, ele já conquistou várias premiações como o Prêmio Sharp, no Brasil, por suas participações no CD de Antonio Adolfo, “Chiquinha com Jazz”, e o Platinum Award, no CD “Donde están los ladrones”, de Shakira, que figurou na lista dos mais vendidos. Em 2003, ganhou o Brazilian International Press Award, como “Músico do Ano”, e também participou do conceituado Sun Waves International Guitar Festival, onde se reúnem os melhores guitarristas do mundo.

Morar na Flórida pode ser interessante porque está nos Estados Unidos e próximo da América Latina. Mas seria o lugar ideal para as manifestações artísticas? Claudio Spiewak acredita que sim. “O mercado de música em geral na Flórida vem crescendo bastante e, embora não esteja ainda no nível de Nova York ou Los Angeles, está indo por um bom caminho”, analisa o instrumentista.

Em nome da boa música, recomendo que você ouça um bom disco instrumental. Afinal, a viagem pelo mundo dos sons não tem fronteiras. Aposto que Claudio Spiewak concorda com isto.