Clinton apóia tese de Lula sobre combate à fome

0
663

“Gastos no Iraque são de mais de US$ 300 bilhões; por uma fração disso, poderíamos colocar todas as crianças do mundo na escola, e pôr fim à fome”

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton endossou a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que uma pequena parte das “centenas de bilhões” de dólares investidos na Guerra do Iraque poderia ser usada para aplacar a fome no mundo.

Indagado pela BBC Brasil se compartilhava da opinião de Lula, manifestada em seu discurso na abertura da Assembléia Geral da ONU nesta terça-feira, Clinton afirmou: “Os gastos no Iraque são de mais de US$ 300 bilhões. Por uma fração disso, poderíamos colocar todas as crianças do mundo na escola, pôr fim à fome mundial e tratar pessoas com Aids, tuberculose e malária”.

Clinton falou com a BBC Brasil na saída da cerimônia de lançamento do programa Central de Medicamentos (Unitaid). Trata-se de um projeto que busca cobrar uma taxa sobre vôos internacionais e destiná-la à compra de medicamentos voltados para o tratamento de Aids, tuberculose e malária.

O programa é uma iniciativa conjunta da França, do Brasil, da Noruega e do Chile e conta com a participação da Clinton Foundation, organização filantrópica presidida pelo ex-líder americano.

Lançamento

O evento de lançamento do projeto, realizado nesta terça-feira na sede da ONU, em Nova York, contou com a presença de Lula, de Clinton, do presidente da França, Jacques Chirac, e do ex-presidente do Chile, Ricardo Lagos.

Durante o evento, Bill Clinton disse que o Brasil e o Chile “deram importantes exemplos no combate à Aids e ao HIV”.

O ex-presidente americano também fez elogios a Chirac, autor da idéia original do projeto de medicamentos.

“Quando ele me falou dessa idéia, pensei ´lá vem ele de novo´”, disse Clinton, provocando risos em Chirac, sentado ao seu lado.

“Mas depois, mais uma vez, vi que ele estava certo e eu estava errado.”

O presidente Lula disse que a taxa sobre vôos internacionais seria uma contribuição pequena para os países ricos, mas seria muito importante para os países pobres.