Coalizões discutem novas ações em favor da legalização

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O objetivo é manter a chama acesa para que o Congresso aprove uma reforma imigratória mais justa

As coalizões pró-imigrantes que convocaram passeatas e concentrações a favor de uma reforma imigratória justa preparam novas ações para a legalização dos milhões de indocumentados.

A Rede Nacional Organizadora de Trabalhadores Diaristas e o Sindicato Internacional de Trabalhadores da Construção informaram que nos próximos dias farão outras manifestações em várias cidades dos EUA, por considerar insatisfatórias as propostas de lei de imigração aprovadas pela Câmara de Deputados e pelo Senado respectivamente.

Pablo Alvarado, coordenador nacional da rede de diaristas, disse que os grupos que defendem os direitos dos imigrantes devem permanecer alerta “porque a luta acaba de começar”. Ele destacou que “o que vai funcionar para os diaristas” é que todos os imigrantes sem “papéis” tenham a possibilidade de uma residência (“green card”) com garantias de futura naturalização, proteções trabalhistas e direitos civis e humanos.

“Continuaremos saindo às ruas, não vamos parar”, enfatizou Alvarado após destacar que este recurso coletivo pacífico deu frutos e “está mudando a percepção que se tem dos imigrantes”. Alvarado explicou que a luta por uma reforma mais humanitária é também una batalha pela dignidade das pessoas e “para que os americanos reconheçam as contribuições dos imigrantes e apóiem uma reforma imigratória que seja justa”.

Tanto estas entidades como a nova aliança “Somos América” e a coalizão nacional que convocou um boicote em 1º de maio último temem que algumas propostas anti-imigrantes possam prevalecer durante a harmonização dos projetos de lei de reforma imigratória que devem mobilizar as duas câmaras do Congresso.

O Congresso ainda não decidiu quando começará estas negociações, um processo que resultará numa lei de imigração unificada. Os líderes hispânicos e de outros grupos concordam que as iniciativas aprovadas na Câmara dos Deputados e no Senado excluem da legalização cerca de quatro milhões de imigrantes indocumentados dos aproximadamente 12 milhões que, calcula-se, vivem nos EUA. Tampouco estabelecem proteções trabalhistas para ninguém nem garantem que será respeitado o direito dos trabalhadores a sindicalizar-se, conforme explicaram os ativistas que pedem uma reforma de imigração ampla.

Advertiram que continuarão fazendo passeatas nas ruas enquanto não for aprovada a legalização de todos os estrangeiros indocumentados nos Estados Unidos, e se abandone o item que penalize estas pessoas e aqueles que lhes dêem assistência humanitária.

Renee Saucedo, do Centro Legal do Conselho Nacional La Raza, de San Francisco, informou que os sindicatos se uniram às coalizões para fortalecer as ações, não só no que diz respeito à imigração, como também a outros, como os direitos civis. “A luta vai mais adiante”, destacou Saucedo, ao anunciar que atualmente os sindicatos e as coalizões buscam novas formas de trabalhar juntos em objetivos comuns como os direitos dos imigrantes e o rechaço para converter os indocumentados em delinqüentes.

As coalizões a nível nacional e organizações locais farão reuniões para redefinir o processo sobre o rumo futuro do movimento “para seguir construindo o poder dos trabalhadores imigrantes”, dijo Pablo Alvarado.

Enquanto isto, a aliança “Somos América” leva a cabo uma campanha para inscrever um milhão de novos votantes hispânicos e promover a naturalização. E realiza, ainda, atividades para pressionar os legisladores contra a proposta HR-4437 que penaliza os imigrantes indocumentados e aqueles que lhes dêem abrigo nos EUA.