“Coiotes” caçados na fronteira

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Imigrantes ajudarão na detenção dos integrantes das quadrilhas de tráfico de pessoas

Representantes dos Estados Unidos e México formalizaram um acordo para identificar, com ajuda da comunidade imigrante, os traficantes de pessoas (“coiotes”) que ajudam os ijndocumentados a cruzar a fronteira.

A porta-voz do consulado do México em El Paso, estado do Texas, Socorro Córdova, disse que este acordo, denominado “Salvador de Vidas”, integrado pela Patrulha Fronteiriça nos EUA e, no México, pela Policía Federal Preventiva, Procuradoria Geral da República, Cipol entre outras, é uma iniciativa do Programa Oasis, destinado a desarticular quadrilhas de “coiotes” na fronteira. “O esforço responde ao crescente número de imigrantes que estão perdendo as vidas na travessia”, explicou Córdova.

Ela acrescentou que, entre janeiro e 31 de setembro deste ano, 22 imigrantes morreram, dos quais 14 deles se afogaram no Canal das Américas. “Os coiotes os empurram ou os enganam, convencendo-os a saltar na correnteza, dizendo que os níveis da água não são elevados, e que, enquanto são arrastados, encontrarão um lugar ideal para sair do canal”, afirmou.

O porta-voz da Patrulha Fronteiriça em El Paso, Douglas Mosier, disse que o acordo assinado nesta quinta-feira é o exemplo perfeito de um projeto entre os dois países. “A combinação de esforços na fronteira é possível, pois os dois países estão interessados e queremos trabalhar para diminuir as mortes dos imigrantes”, analisou.

Mosier acrescentou que, embora o número de mortes de imigrantes registradas tanto em El Paso como no Novo México, no ano fiscal 2006-2007, tenha diminuído, o número de pessoas que perderam a vida nesta região tentando atravessar o canal aumentou.

Ele destacou que os agentes do órgão federal efetuaram 112 resgates de indocumentados de outubro de 2006 a setembro de 2007, sendo 30 deles ocorridos nas águas do canal de irrigação.

Córdova revelou que, com base neste acordo, o México se compromete a buscar e em alguns casos processar judicialmente no território mexicano os traficantes de pessoas identificados pelos imigrantes indocumentados detidos pela Patrulha Fronteiriça no território americano. “Uma vez identificados os traficantes, poderemos abrir um processo penal em nosso país”, explicou Mosier.

As autoridades mexicanas estão proecupadas com esta nova rota e temem que este ano seja superada a marca de 24 mortos, registrada no ano passado. “A atividade dos coiotes antigamente não era tão intensa”, disse a porta-voz do consulado. Ela mencionou que, além do canal, outra via utilizada pelos “coiotes” é jogar-se da parte alta das pontes internacionais, e soltar-se, garantindo que haverá quem os receba na queda. “Estamos vendo chegar pessoas com o corpo desmembrado aos hospitais”, advertiu Córdova.

Ela adiantou que nos próximos dias o consulado, numa ação alternativa, fará anúncios nas rádios de Ciudad Juárez e do Nuevo México para prevenir a comunidade imigrante. A chamada foi gravada com uma voz feminina, pois, segundo Córdova, o número de mulheres que perdem a vida já é similar ao dos homens. “O coiote nos disse que não havia perigo. Minhas companheiras se afogaram no canal. Graças a Deus eu posso contar minha história”, relata a mulher no anúncio de rádio.