Comunidade unida, jamais será vencida

0
750

Centro Comunitário Brasileiro recebeu representantes da polícia do Condado de Broward para externar as reivindicações dos brasileiros, assustados com a possibilidade de serem presos

Viver sem documentos americanos tornou-se um pesadelo para os imigrantes que não possuem os papéis e são obrigados a levar os filhos para a escola, fazer compras, divertir-se, trabalhar, enfim, fazer tudo aquilo que qualquer cidadão normal faz.

Mas o fantasma da ilegalidade assombra os imigrantes, em geral, e os brasileiros não fogem à regra. Como agir se um policial me parar e eu não tiver carteira de motorista para apresentar? E se eu for detido sem nenhum motivo por alguma autoridade local? O drama fica ainda maior quando o brasileiro não domina o inglês. Como fazer para se explicar? A quem devo recorrer? Serei preso e deportado?

Esse turbilhão de questões povoa a mente dos brasileiros indocumentados. Entretanto, o Centro Comunitário Brasileiro (CCB), formado por voluntários abnegados, decidiu tomar a frente desta luta para ver se consegue aliviar um pouco a difícil situação em que se encontram vários brasileiros.

Reunião com autoridades

A fim de equacionar esses problemas, o CCB convidou representantes do escritório do Broward Sheriff Office (BSO) para uma reunião, na última terça-feira, dia 7 de junho, na sede da entidade.

Compareceram ao encontro, Michael Calderin, comandante responsável pelos Assuntos Externos do órgão, e o tenente executivo Rafael Lopez, do distrito de Pompano Beach. Do lado do CCB, estiveram presentes Urbano Santos, Alfredo Silva, Anderson Morais, Lourdes Mirelez, Ricardo Rosa, Gil Santos, Esther Pereira, Washington Sena e Michael Church.

O tenente Lopez, por ser cubano de nascimento, diz entender perfeitamente a situação dos imigrantes, mas ressaltou que os policiais de seu distrito não fazem diferença nenhuma entre as pessoas, independente de como elas se parecem ou de como falam o inglês.

Traduzindo, garantiu que não há ação policial direcionada em cima do perfil do indivíduo. Aliás, esta é uma fonte de controvérsia entre grupos defensores de direitos humanos, que alegam haver este tipo de discriminação, e as autoridades policiais, que asseguram não adotar esta política.

Urbano Santos afirmou que o objetivo do CCB é exatamente ajudar a comunidade brasileira e, por este motivo, a entidade não mede esforços no sentido de lutar por aquilo que considera justo. Neste sentido, ele destacou ter conhecimento da existência de um acordo entre as polícias e o pessoal dos órgãos federais: Mostramos a eles a cópia de um documento que afirma ser de exclusividade dos órgãos policiais locais a adesão a programas federais, como é o caso de chamar agentes do ICE (o braço executor de ações policiais do Serviço de Imigração dos EUA) para denunciar imigrantes indocumentados que estão detidos por pequenas infrações.

Calderin, por sua vez, retrucou que nunca havia sido feito anteriormente um trabalho de aproximação com a comunidade brasileira, como vem ocorrendo na atual administração do Sherriff Al Lamberti. E citou como exemplo a formação de dezenas de pessoas em um centro comunitário, confirmando a boa vontade das autoridades policiais locais.

O que pode ser feito agora

Apesar do respeito mútuo entre Calderin e Urbano, a verdade é que cada um deles não parecia querer ceder em suas opiniões. O brasileiro continuou insistindo que o Escritório do Sheriff do Condado de Broward deve solicitar ao Serviço de Imigração o rompimento do acordo entre as partes. Isto pode ser feito de maneira unilateral e demora muito pouco tempo para o acordo ser invalidado, ratificou Urbano.

Ele tem razão. Recentemente, os governadores de Nova York e Illinois e prefeitos de diversas cidades dos EUA romperam seus acordos com o governo federal em relação ao programa Comunidades Seguras, sob alegação de que houve um desvirtuamento de seu objetivo principal, que era exatamente detectar criminosos na comunidade. Em vez disto, os policiais daqueles estados estavam detendo cidadãos honestos que somente não têm os documentos apropriados.

Todavia, Calderin argumentou que, como órgão local, eles não podem impedir a entrada de agentes de um órgão federal, no caso do ICE, em suas dependências. Portanto, é impossível evitar algumas ações contra imigrantes indocumentados, independente de suas nacionalidades.

Lopez, no entanto, demonstrou ser objetivo ao perguntar aos membros do CCB o que a polícia de Pompano Beach pode fazer objetivamente para ajudar agora a comunidade brasileira. Esther Pereira citou, então, o caso de um amigo dela que se encontra no limbo em termos de situação imigratória. O rapaz tinha os documentos necessários, mas, ao ter seu pedido negado pelo USCIS (Serviço de Imigração dos EUA), passou para a ilegalidade por não poder mais renovar a carteira de motorista e autorização de trabalho.

Diante disso, Lopez propôs que o CCB faça uma lista com os nomes de pessoas que encontram-se nessa situação e encaminhe para a delegacia de Pompano Beach. Se algum policial detiver alguém que integre esta lista, comprometo-me a intervir para que ele ou ela seja liberado, garantiu Lopez, que informou ainda ser um critério pessoal do policial prender ou não uma pessoa sem carteira de motorista detida por uma infração de trânsito.

Gil Santos, diretor do CCB, sugeriu às pessoas que se enquadram nesta situação que compareçam à sede do CCB e deem seus nomes. O Centro Comunitário Brasileiro fica na 4823 North Dixie Wighway, Deerfield Beach, 33064. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (954) 933-7453 e (954) 588-5065, pelo e-mail BccFlorida@hotmail.com ou no Website: www.centrocomunitariobrasileiro.org.