Confrontos no Rio expõem deficiências na segurança

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Cidade precisa de investimentos federais para combater problemas como contrabando de armas e tráfico

Foram mais de cinco dias de confrontos entre traficantes de diversos morros do Rio de Janeiro e a polícia local, com a população carioca assistindo a tudo, com medo, sem poder sair de casa. Até agora, o saldo foi de 33 pessoas mortas e a certeza de que a cidade ainda está distante do ideal de segurança apresentado pelo Comitê Olímpico Brasileiro em relação aos Jogos de 2016. Os maiores problemas neste particular são o contrabando de armas e o tráfico de drogas.

O editorial desta semana do jornal português ‘Diário de Notícias’ disse que o “Brasil está na moda por causa da economia, de Lula, do pré-sal, da Copa e das Olimpíadas. Mas, antes que o sonho vire pesadelo, deve vencer a questão da segurança pública”. O ministro do Esporte, Orlando Silva, preferiu minimizar pos acontecimentos recentes. “Os episódios de violência no Rio não têm relação e nem afetam a realização da Olimpíada na cidade. Antes de se preocupar com a imagem da cidade, precisamos pensar nas pessoas que morreram”, disse o ministro, manifestando confiança no trabalho das autoridades públicas para conter a violência.

Desta vez tudo começou com o conflito entre traficantes de quadrilhas rivais no Morro dos Macacos, que culminou com um intenso tiroteio que pânico em moradores de vários bairros da zona norte da cidade. Os tiros atingiram uma escola municipal e provocaram curto-circuito e incêndio em duas salas, oito ônibus foram incendiados em várias comunidades e até um helicóptero da Polícia Militar foi derrubado por disparos de traficantes. Uma imagem emblemática da situação foi a do corpo de um homem, abandonado na entrada de uma das favelas, dentro de um carrinho de supermercado.

Desde o confronto, A Secretaria de Segurança Pública intensificou o policiamento em algumas regiões críticas. O secretário José Mariano Beltrame, porém, acredita que é preciso um trabalho mais coordenado com o governo federal. “Brasília precisa assumir plenamente a responsabilidade de combate ao tráfico de drogas e ao contrabando de armas. Isso é um dever da Polícia Federal”, disse Beltrame, lembrando que o governo criou ministérios, mas jamais cogitou uma pasta da Segurança Pública.