Copa das Confederações ou das Manifestações

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Por esta nem a Fifa nem a CBF esperavam: ver os jogos da competição perderem espaço para os protestos

Antonio Tozzi

Felipão feliz com rendimento do time
Felipão feliz com rendimento do time

Na disputa entre futebol e protestos, os protestos estão vencendo de goleada. Eles têm mais visibilidade, são realizados nas mais diversas cidades do país e têm muito mais torcida.

Os zagueiros do time adversário (os policiais) tentam impedir que caia sua cidadela, mas os atacantes (os manifestantes) partiram com tudo e levaram a melhor neste jogo que dura bem mais do que os 90 minutos regulamentares. Na verdade, parece que os ábritros (as autoridades) perderam o cronômetro e não conseguem apitar o final da partida.

Pois é em meio a este clima de contestação que a Seleção Brasileira quer conquistar o título da Copa das Confederações que será seu quarto neste domingo (30) contra a Espanha, para dar de presente aos raivosos manifestantes que não aguentam mais sofrer derrotas no tapetão. Eles já avisaram. De agora em diante, só vão bater da medalhinha para cima nos políticos corruptos e representantes de entidades desonestos.

Mas, analisando a equipe brasileira meramente sob a ótica futebolítica, não dá para negar que o técnico Luiz Felipe Scolari conseguiu dar uma cara à Seleção Brasileira. Pode-se discordar de um ou outro nome no time titular, porém, ele convocou basicamente os jogadores que 90% dos torcedores teriam convocado se estivessem em seu lugar.

Entretanto, mais do que a convocação dos jogadores, Felipão conseguiu instilar nos seus comandados aquele espírito guerreiro e vencedor que sempre o caracterizou. Dizem que ele é ultrapassado, ranzinza e fraco na parte estratégica. Ninguém pode negar, todavia, que Felipão é o técnico que se destaca pela motivação. E também soube inculcar nas mentes de nossos craques que marcar é preciso. Por isto, viu-se até mesmo o frágil Neymar dar uma entrada séria no italiano Inazio Abate que lhe valeu um cartão amarelo e a substituição de Abate por Christian Maggio.

Campanha brasileira

O Brasil jogou bem contra o Japão e não teve problemas para derrotar a seleção nipônica por categóricos 3 a 0, com gols de Neymar, Paulinho e Jô. Depois, foi a vez de enfrentar o México. Um gol de Neymar aos 3 minutos de jogo deu impressão de que o Brasil aplicaria uma goleada, mas não foi o que se viu em campo. A seleção mexicana pressionou bastante, mas não conseguiu incomodar muito o arco de Julio Cesar. Acabou castigada com o gol de Jô, que novamente substituíra Fred no comado de ataque, dando números finais ao placar. Brasil 2, México 0.

A fase de classificação encerrou-se com a vitória brasileira sobre a seleção italiana. O Brasil abriu o placar com o zagueiro reserva Dante, que se aproveitou de um rebote de Buffon em uma cabeçada de Fred. A Itália marcou no início do segundo tempo com Giacherinni, mas Neymar batendo falta recolocou o Brasil na frente. Quando a Itália saiu mais tentando o empate, foi surpreendida com um gol de Fred, marcando 3 a 1 para o Brasil. A Itália diminuiu com um gol de Chiellini, mas Fred marcou novamente para consolidar a vitória: Brasil 4 x 2 Itália.

Na quarta-feira (26), o Brasil teve de enfrentar o Uruguai em busca de uma vaga na final. Os uruguaios, porém, surpreenderam com uma marcação eficiente e jogaram melhor no primeiro tempo. O destaque ficou por conta do goleiro Julio Cesar que defendeu um pênalti cobrado por Diego Forlan. No final desta etapa, Fred aproveitou um rebote do goleiro Muslera que defendeu um chute de Neymar para abrir o placar. No início da segunda etapa, Cavani empatou a partida, que se tornou dramática para os brasileiros. A torcida em Belo Horizonte só respirou aliviada aos 40 minutos do segundo tempo quando Paulinho escorou de cabeça o escanteio batido por Neymar para dar números finais ao marcador. Brasil 2 x 1 Uruguai e Seleção Brasileira na final.

Adversário esperado

Em partida dramática, a Espanha bateu a Itália na decisão de pênaltis por 7 a 6. O zagueiro Bonucci foi o único a desperdiçar a cobrança e garantiu a seleção espanhola na final, fazendo com que seja realizada a final esperada e prevista pela maioria, reunindo a atual seleção campeã mundial e europeia contra o jovem time brasileiro que pode vencer a competição internacional de grande porte em território nacional.

Apesar do favoritismo, a Espanha sofreu para chegar à final, que será disputada no domingo (30) no Maracanã. Depois de vencer o Uruguai na abertura por 2 a 1, com um primeiro tempo primoroso, os espanhóis aplicaram a maior goleada da competiçào ao vencer a seleção do Taiti por 10 a 0, usando a equipe reserva. Finalizou sua participação na fase de classificação com uma vitória de 3 a 0 sobre a Nigéria.

Na semifinal, o que se viu foi um jogo bastante disputado, com a Itália melhor no primeiro tempo e a Espanha superior na segunda etapa e na prorrogação, com boas atuações dos goleiros Casillas e Buffon. Na série inicial de cinco pênaltis, todos os cobradores marcaram. Nas cobranças alternadas, o zagueiro Bonucci chutou por cima e o atacante Jesus Navas converteu sua cobrança para garantir os espanhóis na final.

Independente de quem vencer a Copa das Confederações, a verdade é que o Brasil hoje possui uma equipe definida, com uma concepção tática e que dá esperança aos brasileiros de conquistar o título na Copa do Mundo em 2014.