Corte decide que churrasqueiro gaúcho merece visto especial

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Churrascaria Fogo de Chão ganha batalha para aprovar visto de churrasqueiro

DA REDAÇÃO COM WASHINGTON POST

Estrelas do basquete americano se enfrentam no Rio de JaneiroO churrasqueiro gaúcho é uma tradição nas churrascarias brasileiras, especialmente nas legítimas que servem o bom churrasco no espeto, como é o caso da Fogo de Chão, que tem várias casas espalhadas pelos Estados Unidos.

Durante anos a rede, baseda em Dallas, trouxe para os Estados Unidos churrasqueiros altamente treinados para trabalhar nos seus restaurantes americanos, através de um programa de vistos especiais. Até que esbarrou num obstáculo pior que uma gorjeta fraca: o departamento de Homeland Security.

A imigração (USCIS) negou em 2010 o visto para Rones Gasparetto, churrasqueiro que trabalhou como chef no Brasil, e a rede apelou na Justiça. Na terça-feira (21) , a U.S. Court of Appeals for the D.C. Circuit decidiu a favor da churrascaria, decidindo que o DHS negou impropriamente o visto, ordenando a reabertura do caso.

“Estamos confiantes de que o departamento vai cuidar desse caso do modo adequado”, disse a juíza Patrcia A. Millet, que fez parte da banca de três juízes que avaliaram o caso.

A Fogo de Chão é considerada a churrascaria padrão brasileira nos Estados Unidos, muito à frente das concorrentes. A primeira casa abriu em 1979, no Brasil. Hoje, a rede pertence à Thomas H. Lee Partners, que opera 19 restaurantes no país.

A filial da Fogo de Chão em Washington D.C. abriu no final de 2005, na Pennsylvania Ave. Desde então a churrascaria rodízio tem sido o local preferido para quem tem grande apetite e uma carteira ainda maior. O jantar sai em média por $53.50, e o almoço por $35.50.

Como todos os restaurantes da rede, a filial de D.C. é cheia de gaúchos vestidos a caráter, carregando os espetos de carne de mesa em mesa. A indumentária é típica: lenço vermelho no pescoço, botas de couro e bombachas.

Treinados no jeito brasileiro de preparar os 16 cortes de carne que estão no cardápio, os ‘passadores’, como são chamados os garçons, fatiam a carne do espeto direto no prato do cliente, de acordo com a temperatura requisitada.

A Fogo de Chão e o DHS não comentaram sobre a decisão da corte, justificada pelo argumento de que a experiência de Gasparetto como chef lhe trouxe um “conhecimento especial”. Tal especialidade é requisito fundamental para a transferência temporária de trabalhadores para os EUA através do visto H1-B, e mais de 200 churrasqueiros da Fogo de Chão já conseguiram esse visto desde 1997.

A corte de apelação decidiu que o DHS errou ao negar o visto de Gasparetto porque, entre outras razões, ele havia concluído o programa intensivo de treinamento da Fogo de Chão para churrasqueiros.

Mas, como estamos falando de coisas que acontecem em Washington, há sinais de que existe algo de político na decisão. O juízes em maioria na banca, Millet e Robert L. Wilkins, foram indicados por Obama, e passaram por uma batalha no Senado para a confirmação de sua indicação no ano passado.

Sua posse deu aos democratas uma sólida maioria na banca, considerada o segundo tribunal mais importante do país depois da Suprema Corte.
A voz discordante na decisão foi do juiz Brett M. Kavanaugh, indicado por George W. Bush, cuja confirmação também passou por uma batalha semelhante no Senado, por conta de seu envolvimento nas invertigações a respeito do affair entre Bill Clinton e Monica Lewinsky.

No seu parecer, Kavanaugh sustentou a decisão do DHS, rejeitando o argumento da Fogo de Chão de que somente churrasqueiros brasileiros seriam capazes de preparar devidamente suas carnes.

“Em última instância, o argumento da “Fogo de Chão” é de que os chefs americanos não poderiam aprender a cozinha a carne ao estilo brasileiro”, escreveu o juiz no seu parecer. “Na verdade, a Fogo de Chão já emprega chefs `churrasqueiros` americanos nas suas filiais americanas, o que nega a afirmação de que americanos são incapazes para o serviço.”

A maioria decidiu pela churrascaria, entretanto. “A posição da Fogo de Chão aqui é simplesmente porque precisa de Gasparetto para treinar os chef americanos nas técnicas e nos conhecimentos dos churrasqueiros, habilidades comprovadamente difíceis de serem transferidas,” disse o parecer favorável.