CRBE continua sendo objeto de polêmicas

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Representação brasileira no Exterior está cada vez mais caracterizada pelas divergências entre seus titulares

O embaixador Aloysio M. D. Gomide Filho, chefe da Divisão das Comunidades Brasileiras no Exterior, da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras no Exterior, do Ministério das Relações Exteriores, enviou uma carta a Carlos Shinoda, presidente do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), que teve o cuidado de divulgá-la também para a imprensa, a fim de todos tomarem conhecimento de seu teor.

O motivo foi uma outra carta, redigida pela conselheira titular Esther Sanches-Naek, onde ela disse estar descrente do Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior (CRBE), e declara sua intenção de abandonar as atividades naquele órgão e partir para projetos alternativos. Segundo Gomide, está havendo uma mal-entendido a respeito da missão do CRBE com relação a seus objetivos, conforme destacou o diplomata. Segue a carta na íntegra:

“Em primeiro lugar, cabe ressaltar que, pelo próprio formato como foi montado o CRBE, não há espaço para que este Ministério interfira nas ações e decisões de seus membros, os quais possuem ampla autonomia, derivando seu mandato das comunidades em suas regiões. Exceto se expressamente solicitado a abrir processo em caso de conduta flagrantemente desrespeitosa e incondizente com as atividades do Conselho, não possui o Itamaraty mandato para repreender, punir ou interferir nas ações de qualquer um de seus membros. Nossa atuação ocorre, portanto, estritamente dentro desses limites, assim definidos de forma deliberada, no entendimento de que são necessários ao processo evolutivo de organização das comunidades brasileiras no exterior e do gradual surgimento de lideranças genuínas e agregadoras.

Essa limitação não impede, no entanto, que nos sintamos desapontados quando testemunhamos, por parte de membro do CRBE, falta de confiança nesse projeto, que é tão inédito, promissor e recente – tendo recém completado nove meses de existência. O projeto se encontra, naturalmente, em pleno processo evolutivo, que requer aprendizado mútuo governolideranças, estabelecimento de rotinas de trabalho e de formas de coordenação e, sobretudo, ajustes das expectativas de ambas as partes – ajustes que vêm sendo efetuados com êxito pela quase totalidade dos seus membros. De nosso ponto de vista, portanto, o CRBE vem funcionando a contento e continuará a fazê-lo na medida em que se registra o empenho de cada um de seus integrantes.

Vemos com estranheza, portanto, as declarações da Conselheira Sanches-Naek, a qual, ao invés de dedicar-se ao trabalho concreto de cumprimento dos mandatos específicos da comunidade brasileira, como o fazem seus colegas do grupo, declara haver decidido – sem qualquer mandato explícito daquela própria comunidade de que se tenha conhecimento – fazer campanhas para combater projeto que nasceu das aspirações dos 2 brasileiros no exterior e que já começa, em tão poucos meses, a apresentar resultados concretos em diversas regiões.”