Cresce o número de seqüestros nos EUA

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Em menos de um ano houve 16 crimes do tipo no sul da Califórnia, praticados por traficantes mexicanos, que se aproveitam da falta de vigilância na fronteira

Este ano, um caso ocorrido no sul da Califórnia, chamou a atenção das autoridades do FBI. A empresária norte-americana Veronica e a filha foram rendidas em um estacionamento por dois homens armados, que as levaram para o México. Ali passaram um mês, até que a família pagasse um resgate de 100 mil dólares. As duas reféns cruzaram a fronteira porque a vigilância em San Diego no lado mexicano é falha – e no lado norte-americano os agentes estão mais preocupados com quem entra. “Recebemos uma luz verde automática para passar pela alfândega mexicana, e então fomos vendadas e levadas para uma casa em Tijuana. Eles seguravam uma pistola na minha barriga o tempo todo em que estávamos no carro”, contou ela.
Efeito colateral da guerra mexicana às drogas, os cartéis de Tijuana passaram a se financiar em parte com o seqüestro de cidadãos dos EUA no sul da Califórnia, levando-os para cativeiros mexicanos, conforme afirmam autoridades de ambos os países. Segundo fontes mexicanas de inteligência, Veronica é uma dos cerca de 30 norte-americanos seqüestrados na região e levados para Tijuana desde novembro. Muitas das vítimas têm origem hispânica e dupla nacionalidade. O FBI em San Diego está investigando 16 desses casos, de 10 meses para cá. Muitos mexicanos ricos que fugiram da violência em Tijuana vivem em condomínios sofisticados naquela região.
A situação é ainda pior no outro lado da fronteira. Mais de 200 pessoas já foram seqüestradas neste ano no estado mexicano da Baixa Califórnia, segundo uma entidade de apoio a vítimas. A opinião pública do país está chocada atualmente com a morte de um menino seqüestrado de 14 anos, filho de um empresário rico da Cidade do México.
Em junho, o FBI prendeu o líder de uma quadrilha de seqüestros e narcotráfico em San Diego. Empresas que prestam consultoria e proteção contra estes tipos de crime nessa cidade da Califórnia admitem que seus negócios estão crescendo. De acordo com o FBI, há também casos de norte-americanos rendidos no Texas e levados para cativeiros no México. Autoridades mexicanas dizem que o cartel Arellano Félix, que funciona em Tijuana, passou a sequestrar mais depois de ter vários de seus líderes presos e de perder espaço para outras quadrilhas de traficantes. A guerra entre os grupos criminosos já matou cerca de duas mil pessoas neste ano.
“O esfacelamento da organização Arellano Félix não foi tão completo quanto desejávamos, e eles se deslocaram para outras atividades, como o seqüestro”, disse o procurador-geral do país, Eduardo Medina Mora, numa recente viagem a Tijuana. A exemplo do que aconteceu com Veronica, a maioria dos crimes ocorre à luz do dia e os seqüestradores usam uma pistola escondida e levam as vítimas em seus próprios carros, segundo as autoridades.
O departamento de Alfândega e Fronteiras dos EUA em San Diego disse não ter recursos para revistar veículos que partem, embora eventualmente ocorram operações-surpresa. Um funcionário da alfândega mexicana disse, sob anonimato, que só 5% dos veículos que entram são verificados, e que não há verbas para melhorar o serviço.