Criando um novo universo

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Rosana Brasil é terapeuta de casais e de família, com consultório no Canadá. Ela escreve artigos sobre relacionamento de casais e de família sempre procurando melhorar a compreensão de aspectos da vida das pessoas

UniversoVejamos uma breve passagem do livro do autor Joshua Green, Tribos Morais: Emoção, Razão.

“Imagine que você está no comando do universo, e decidiu criar uma nova espécie de seres humanos. Esta espécie viverá em um mundo como o nosso, em que os recursos são escassos e em que a alocação de recursos é importante para eliminar o sofrimento e produzir mais felicidade para todos. Você começa a projetar a mente destas novas criaturas e, assim, escolher a forma como eles vão tratar uns aos outros. Você está restrito às seguintes opções de espécies para constituir a população do seu universo.

Espécie 1, Homo Selfishus: Essas criaturas não se preocupam com o outro em absolutamente nada. Eles fazem o que podem para tornar-se tão feliz quanto possível e não se preocupam com a felicidade dos outros. O mundo do Homo Selfishus é um mundo bastante miserável em que ninguém confia em ninguém e todo mundo está constantemente brigando por recursos que já estão escassos.

Espécies 2, Homo Justlikeus: Os membros desta espécie são bastante egoístas, porém, eles também se preocupam profundamente com um número relativamente pequeno de indivíduos específicos e, em menor medida, com os indivíduos que pertencem a determinados grupos. Eles preferem que os outros sejam felizes, em vez de infelizes. Mas eles, na maioria das vezes, não estão dispostos a levantar muito mais do que um dedo para ajudar estranhos, especialmente os estrangeiros que pertençam a outros grupos. Esta é uma espécie de amor, mas seu amor é muito limitado. Muitos membros desta espécie são muito felizes, mas a espécie como um todo é bem menos feliz do que poderia ser. Isso ocorre porque os membros da Homo Justlikeus tendem a acumular tantos recursos quanto possível para si e seus colaboradores mais próximos. Isso deixa muitos membros do Homo Justlikeus – um pouco menos da metade deles, sem os recursos de que precisam para ser felizes.

Espécies 3, Homo Utilitus: Os membros desta espécie valorizam a felicidade de todos os membros de forma igual. Esta espécie é tão feliz quanto poderia ser, porque os seus membros preocupam-se com os outros, tanto quanto preocupam-se com eles mesmos. Esta espécie é inundada com um espírito de amor universal. Ou seja, os membros desta espécie amam uns aos outros com a mesma intensidade que os membros do Homo Justlikeus amam seus familiares e amigos íntimos. Consequentemente, são muito mais felizes.

Se eu fosse o responsável pela criação do universo, iria para o Homo Utilitus, a espécie mais feliz, inundada de amor universal. Você pode discordar.

Passagem muito interessante, hein! Se você estivesse na posição de criador, qual espécie você gostaria de fazer parte? Como podemos efetivamente fazer parte do grupo Homo Utilitus?