Dealers enfrentam a crise com criatividade

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As dificuldades que os imigrantes agora enfrentam para tirar novas carteiras de motoristas nos Estados Unidos acabaram por acender o pisca-alerta para um segmento que vinha em quinta marcha há vários anos no país. Muitos dealers de automóveis inclusive alguns Abelbrasileiros chegaram a fechar as portas e os que continuam no mercado precisaram se ajustar aos novos tempos, com cortes de custos e novas políticas de vendas. Mais do que nunca o tratamento ao cliente, a qualidade do produto e a credibilidade do business estão fazendo a diferença, atesta Abel Moraes (foto), da Toyota King, de Deerfield Beach, feliz com o crescimento de 2% nas vendas em 2007.

Esta é a terceira reportagem da série…

Para quem pensa que o setor automobilístico parou no acostamento, os números são a melhor resposta: em 2007, mesmo em tempos de crise, foram vendidos mais de 16 milhões de unidades, o que representa uma movimentação superior a meio trilhão de dólares. “Lógico que a questão das driver’s license prejudicou o mercado, até porque os imigrantes representam uma grande parcela da população no sul da Flórida. Mas estamos buscando saídas para compensar essa perda”, explica Abel, um curitibano com 15 anos de experiência no ramo. Uma das medidas, segundo ele, é a possibilidade da aquisição de veículos com apresentação de carteiras de motoristas do país de origem do comprador, através de financiamento da própria financeira da Toyota.

TonyDa mesma forma, a Brascar tem oferecido essa alternativa aos indocumentados, latino-americanos de um modo geral, mas segundo o proprietário Tony Mattevi o maior esforço está na busca de novos mercados, até porque as taxas de juros cobradas pelos bancos em contratos de risco está abusiva, chegando até a 28%. “Na verdade, os dealers brasileiros ficaram muito acomodados, pois a demanda da comunidade sempre sustentou os nossos negócios. Tudo o que aconteceu foi importante para percebermos que, apesar da importância dos imigrantes no setor, há também outras frentes”, ressalta o gaúcho Tony.

Ele calcula em 40% a queda de vendas imediatamente após o governo americano iniciar a ofensiva contra os indocumentados, mas com a nova política a Brascar retomou boa parte dessa fatia. Para isso contribuiu também o fato de que a loja mantém um estoque de aproximadamente 100 carros usados, “de todos os tipos e cores”, exatamente para não correr o risco de perder os clientes que estão à procura de um tipo específico de veículo.

Valdemar da Silva Júnior, da Gol Auto Sales, confirma que a situação esteve muito difícil para os dealers que lidavam basicamente com as comunidades de imigrantes e há rumores de que pelo menos cinco lojas – dados não-oficiais – tenham fechado, em média, desde o início da crise. O maior responsável por isso é o chamado ‘floor plan’, onde as revendedoras sem capital de giro adquirem automóveis com linhas de crédito dos bancos e precisam vender as unidades num prazo de até 45 dias. “Com o mercado em baixa e a inadimplência de até 40%, muitos dealers ficaram com os prejuízos e tiveram que fechar as portas”, resume Valdemar.

A melhor maneira que a empresa tem encontrado para enfrentar os momentos difíceis, enfatiza o baiano, tem sido a sensibilidade na hora de conceder os empréstimos a quem não possui crédito ou documentação, com o objetivo de minimizar os riscos . “Os imigrantes continuam aqui e a Flórida é um estado onde ter um carro é fundamental. Com criatividade, temos conseguido sobreviver”, afirma Valdemar, enfatizando ainda que a Gol tem pesquisado novas áreas de atuação dentro desse mesmo segmento.