Decadente e sem Fidel Castro, Cuba tenta se manter na elite

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País vê queda no número de medalhas desde o fim da ajuda soviética.
Dirigentes esperam performance recorde em 2007, mesmo sem Fidel, doente.

Atleta cubano salta obstáculo: a ilha tentará se manter em 2º lugar no Pan do Brasil . Os atletas cubanos que chegam nesta sexta-feira (6) ao Rio de Janeiro têm uma missão que parece mais difícil a cada edição dos Jogos Pan-americanos: manter seu país na elite esportiva das Américas.

Cuba ainda é uma potência quando se fala de esportes nas Américas. É a segunda colocada no ranking geral, com 1.658 medalhas em Pans –só perde para os Estados Unidos, cujos atletas subiram ao pódio 3.679 vezes.

Mas desde o colapso da União Soviética e o fim dos investimentos bilionários enviados pelo regime socialista ao país de Fidel Castro, no início dos anos 90, a cada edição dos jogos o número de medalhas conquistadas pela ilha diminui.

Veja no gráfico abaixo o rendimento de Cuba. Para comparar inserimos também o número de medalhas conquistadas pelo Brasil e pelos Estados Unidos a cada edição do Pan -de 1951, em Buenos Aires, a 2003, em Santo Domingo.

Cuba reduziu suas conquistas após o Pan de 1991, realizado em Havana

A decadência cubana tem uma explicação histórica: é resultado direto da falta de apoio soviético, diz Paula Pettavino, norte-americana que escreveu “Esporte em Cuba – O Diamante Bruto”, livro que tenta explicar as razões do sucesso esportivo internacional do país. A obra é resultado de seu doutorado, para o qual ela passou cinco anos no país analisando todo o sistema político administrativo e como isso se reflete nas competições esportivas.

“O que aconteceu é que Cuba teve de correr atrás de uma forma de se sustentar e recomeçar, mais ou menos como aconteceu após a revolução, no fim dos anos 50”, disse a pesquisadora.

Para entender o que Pettavino diz, é preciso recordar a outra ponta desta história.

Ascensão
A ascensão de Cuba como potência esportiva mundial se deu no início dos anos 70, pouco mais de uma década após a Revolução Cubana (de 1959) e alguns anos depois do estreitamento das relações de Fidel Castro com o regime socialista soviético.

Fidel Castro no hospital, em foto de arquivo: líder deixou o poder para seu irmão, Raul (Foto: Reuters)A curva de medalhas só cresceu no Pan-americano seguinte (ver o infográfico acima). O mesmo ocorreu com a participação dos atletas cubanos nas Olimpíadas -a ilha passou de um modesto 31º lugar nos jogos de 1968 (no México) para a 14ª posição em 1972 (na Alemanha) e para a 8º em 1976 (no Canadá).

Em 1980, nas Olimpíadas de Moscou, Cuba chegou à sua melhor colocação até hoje: a 4ª colocação no ranking geral, com 20 medalhas, sendo 8 de ouro.

Já nos Pan-americanos a melhor participação de Cuba foi em 1991, dois anos depois da queda do Muro de Berlim -mas com os atletas ainda gozando de verbas estatais. Nesses jogos, realizados em Havana, os cubanos deixaram em casa um total de 265 medalhas, sendo 140 de ouro.