Decisão de não reportar imigrantes que cometeram delitos menores é aplaudida

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A decisão das autoridades é uma conquista para a comunidade latina

A decisão das autoridades federais de não processar os imigrantes acusados de delitos menores, como era feito há 14 meses em Irving, Texas, é uma conquista para a comunidade latina, especialmente para os mais vulneráveis.
Isso foi o que disseram vários líderes comunitários, após o Departamento de Imigração e Aduanas (ICE) ter ordenado a polícia de Irving não fichar os indocumentados detidos por delitos de classe “c”, considerados menores.
O conselho municipal de Irving pôs em execução há quinze meses o chamado Criminal Allien Program (CAP), que autoriza a polícia a identificar os estrangeiros que tenham transgredido a lei, para depois notificar o ICE.
A partir de então foram presas mais de 14.000 pessoas, das quais mais de 1.700 já foram deportadas (a maioria foi detida por cometer uma infração de trânsito).
Carlos Quintanilla, presidente da Acción América, organização que ajuda os imigrantes e que convocou, nas últimas semanas, várias passeatas de protesto e um boicote comercial, assegurou que as pressões de seu grupo ativista influenciaram nesta decisão. “Sem dúvida é uma conquista da comunidade latina e do trabalho que temos realizado para que as autoridades se dêm conta de que o programa CAP não é mais do que um equívoco. Além do mais, não iam atrás de criminosos, e somente destruíam famílias inteiras”, sustentou Quintanilla.
Mas os delitos considerados de classe “A” ou “B” que podem resultar num processo de deportação continuam ativos, entre eles estão conduzir um automóvel embriagado, prostituição em via pública e ter armas de fogo sem licença.
O prefeito de Irving, Herbert Gears, que tem sido alvo de duras críticas por parte dos ativistas hispânicos, assinalou que a mudança proposta pelo ICE “pode ser por causa do alto número de deportados nos últimos meses que superpovoou os centros de detenção”.
Carl Rusnok, diretor de comunicações do ICE em Dallas (Texas), informou que os agentes federais continuarão com seus trabalhos dentro do programa CAP e deportando os estrangeiros que representem perigo para a segurança pública. “Somos uma agência da lei e nossa prioridade é encontrar os recursos para que aqueles que estejam de forma ilegal neste país sejam identificados, localizados, presos e, por último, deportados”, disse Rusnok.

Há umas semanas, depois de duas manifestações públicas em frente à sede municipal de Irving no mês passado, vários líderes comunitários e funcionários do consulado geral do México em Dallas se reuniram com as autoridades de Irving. Ali ficou acertado que a matrícula consular e os recibos de luz e água seriam suficientes para se identificar em caso de serem detidos pela polícia desta cidade.

Mas os ativistas denunciaram que as prisões continuavam e que o pedido do prefeito de Irving não havia sido acatado.

Dos 205.000 habitantes de Irving, calcula-se que um terço é de origem latina.