Democratas propõem retirada de tropas do Iraque até 2008

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Projeto coloca partidos em rota de colizão e debate pode começar semana que vem

Democrata Nancy Pelosi apresenta projeto para retirada dos soldados do Iraque

Líderes democratas no Congresso norte-americano propuseram nesta quinta-feira, 8, a retirada das tropas de combate do Iraque até o ano que vem, alegando que a estratégia do governo Bush fracassou e que os EUA deveriam se concentrar na cada vez mais complicada situação do Afeganistão.

Isso coloca os democratas, que desde janeiro controlam o Congresso, em rota de colisão com o presidente George W. Bush, que não quer interferência parlamentar na condução da guerra iniciada há quatro anos e cada vez mais impopular entre os norte-americanos.

“(Pelo projeto), nossas tropas vão sair até no mais tardar agosto de 2008”, disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, a jornalistas, citando um prazo apenas três meses antes da eleição presidencial.

No Senado, o líder da maioria, Harry Reid, apresentou uma proposta que prevê o início da desocupação dentro de quatro meses e a retirada total das tropas de combate até 31 de março de 2008.

O debate no Senado pode começar já na próxima semana, a não ser que haja obstrução dos republicanos. “A estratégia do presidente no Iraque não está funcionando, e o Congresso precisa decidir se segue suas políticas fracassadas ou se muda de rumo”, disse Reid a jornalistas.

A Casa Branca imediatamente alertou que Bush vetaria tal projeto se chegar a sua mesa. “O governo vai veementemente se opor e afinal vetar qualquer legislação que se pareça com o que foi descrito hoje”, disse o assessor governamental Dan Bartlett a jornalistas que acompanham Bush ao Brasil.

Segundo Bartlett, os democratas querem “uma retirada artificial e precipitada” do Iraque. Mas, antes que Bush possa usar a caneta para vetar a idéia, democratas enfrentarão dificuldades na Câmara e no Senado.

Pelosi terá inicialmente de convencer a ala mais “esquerdista” da sua bancada – que gostaria de uma retirada mais rápida – a aprovar o financiamento para a guerra do Iraque, com condições que eles julgam tímidas demais, e ao mesmo tempo precisará dissuadir a ala democrata mais conservadora, que vê com reservas a possibilidade de tolher os poderes presidenciais de travar guerras.

Condições de aceitação
As novas condições para o Iraque estariam acopladas a uma lei orçamentária com enormes gastos emergenciais, a ser debatida neste mês no plenário da Câmara. Mas uma votação na próxima semana na Comissão de Orçamento já serviria de teste.

No Senado, os democratas têm uma maioria de apenas 51-49, e normalmente são necessários 60 votos para superar obstruções regimentais. Reid admitiu que será necessário o apoio de parte da bancada republicana para que haja “uma verdadeira mudança de rumo no Iraque.”

Os líderes democratas na Câmara tentarão ampliar o apoio à medida enfatizando sua disposição em dar pleno financiamento às tropas dos EUA já lutando no Iraque. Eles também devem argumentar que é necessário destinar mais recursos ao combate ao Taleban e à Al-Qaeda, cada vez mais fortes no Afeganistão.

Além disso, os líderes democratas da Câmara devem incluir outros “agrados” na lei orçamentária, que pode atingir US$ 110 bilhões. Seriam US$ 4,3 bilhões em novas ajudas a agricultores, muitos deles em Estados conservadores, junto com US$ 2,9 bilhões para continuar a reconstrução dos Estados sulistas atingidos por furacões em 2005.

Bush anunciou em janeiro o envio de 21,5 mil soldados adicionais para o Iraque, o que irritou os democratas, que julgam ter vencido as eleições parlamentares de novembro graças ao descontentamento popular com a guerra do Iraque.