Democratas vencem eleição nos EUA; Rumsfeld cai

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Os democratas substituíram os republicanos no controle da Câmara dos Deputados dos EUA e estão a uma vaga de fazerem a maioria também no Senado. Foi uma séria derrota para o presidente George W. Bush, que levou à imediata saída do secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

Bush se disse “obviamente desapontado” com o resultado. “A eleição alterou muitas coisas em Washington, mas não alterou minhas responsabilidades fundamentais.” Ele admitiu, porém, que é “hora de uma nova liderança” no Pentágono, mas afirmou que saída de Rumsfeld não está diretamente relacionada aos resultados das eleições de terça-feira.

“O secretário Rumsfeld e eu concordamos que às vezes é bom ter uma nova perspectiva”, disse Bush a jornalistas. O presidente acrescentou que ele assume “uma grande parte” da responsabilidade pelas perdas na eleição e que sua política em relação ao Iraque não está funcionando suficientemente bem, nem rápido.

Bush nomeou o ex-diretor da CIA Robert Gates para assumir o lugar de Rumsfeld, mas Gates precisa ser confirmado pelo Senado.

A bancada democrata cresceu em cerca de 30 deputados, e além disso o partido derrotou os republicanos em cinco disputas para o Senado. A oposição lidera também na apuração para o Senado na Virgínia, o que lhe dá a chance de fazer maioria absoluta em ambas as Casas do Congresso pela primeira vez em 12 anos.

Uma possível recontagem e recursos judiciais na Virgínia podem adiar o resultado final até dezembro, reavivando as lembranças da turbulenta recontagem de cinco semanas na Flórida, que decidiu a eleição presidencial de 2000.

Na disputa da Virgínia, o democrata James Webb lidera com margem de 7.000 votos (num total de 2,3 milhões) sobre o republicano George Allen.

A campanha de Allen avisou que não pretende admitir a derrota até o final do processo de apuração. “Vamos ver como fica a totalização em 27 de novembro `limite para a proclamação do resultado`”, disse Ed Gillespie, assessor do candidato, a jornalistas.

Em Montana, o democrata Jon Tester deve ter uma vitória apertada sobre o republicano Conrad Burns, embora ainda possa haver recontagem.

As Bolsas norte-americanas operaram com um volume ligeiramente baixo de negócios, refletindo a cautela dos investidores.

A escassa maioria democrata contra um governo republicano prenuncia que os últimos dois anos do governo Bush serão de duras disputas e impasses políticos. Os democratas passarão a controlar comissões parlamentares que poderão investigar decisões de Bush em questões diplomáticas, militares e energéticas.

A deputada democrata Nancy Pelosi, considerada uma esquerdista radical para os padrões norte-americanos, deve se tornar a primeira mulher a presidir a Câmara. Nessa posição, ela teria como frear grande parte da agenda de Bush e aumentar a pressão por uma mudança de rumos no Iraque.

CUMPRIMENTOS DE BUSH

Bush telefonou a Pelosi e a outros líderes democráticos congratulando-os pela vitória e prometendo colaboração. Ele convidou a deputada e o vice-líder democrata no Senado, Steny Hoyer, para almoçarem na quinta-feira na Casa Branca.

Estavam em disputa todas as 435 vagas de deputados, 33 das 100 do Senado e 36 dos 50 governos estaduais.

Em Connecticut, o senador Joseph Lieberman, concorrendo como independente, derrotou o democrata antiguerra Ned Lamont, que havia vencido o ex-candidato a vice-presidente nas primárias democratas.

Em Nova York, Hillary Clinton foi reeleita com facilidade para o Senado, abrindo de vez o caminho para sua candidatura presidencial em 2008.

O senador republicano John McCain disse à CNN que o resultado eleitoral deve servir como “toque de despertar” para o seu partido.

Os democratas também foram bem nas disputas para os governos estaduais, roubando seis deles dos republicanos e estabelecendo uma maioria nacional que pode ser vantajosa nas eleições presidenciais de 2008.

Raro caso de republicano bem-sucedido, o governador-ator da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, foi facilmente reeleito.

Em referendos sobre questões sociais, sete Estados rejeitaram o casamento homossexual — um dos poucos consolos para os conservadores na terça-feira.

Os democratas prometem levar rapidamente grande parte das suas propostas a votação na Câmara. Isso incluiria novas regras éticas, aumento do salário mínimo, redução de subsídios ao setor petrolífero e melhoria na segurança de portos e fronteiras.

Segundo pesquisas de boca-de-urna apresentadas pela CNN, os eleitores estavam em geral descontentes com a guerra do Iraque, mas questões de ética e corrupção pesaram mais na decisão do voto.

Só neste ano, quatro deputados republicanos renunciaram devido a suspeitas de violação à ética. Durante a campanha, os democratas acusaram os governistas de difundirem uma “cultura de corrupção” em Washington.

Mas a campanha foi mesmo dominada pelo Iraque, e o presidente George W. Bush defendeu sua atuação até o fim, apesar de uma aprovação popular abaixo de 40 por cento. Ele questionou o que os democratas teriam feito de diferente e previu, erradamente, que os republicanos manteriam o controle do Congresso. A História, porém, ajudava os democratas — o partido que ocupa a Casa Branca tradicionalmente reduz sua bancada no sexto ano de um presidente.