Depois dos EUA, Irã prepara exercício naval no Golfo

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A Guarda Revolucionária do Irã inicia na quinta-feira 10 dias de exercícios militares que incluem treinamentos no golfo Pérsico e no mar de Omã, disse a agência oficial de notícias Irna na quarta-feira, dias depois de os Estados Unidos comandarem exercícios navais com seus aliados na região.

Na segunda-feira, os norte-americanos coordenaram manobras navais com 25 participantes e observadores no golfo Pérsico, cujo objetivo era simular o bloqueio a um navio com armas de destruição em massa, segundo autoridades.

O Irã vive atualmente um impasse com o Ocidente, que acusa o país de desenvolver armas nucleares. Teerã garante que seu programa atômico é destinado apenas à geração de eletricidade.

Yahya Rahim Safavi, comandante da Guarda Revolucionária, disse que forças terrestres, aéreas e navais, inclusive submarinos, participarão do exercício, entre quinta-feira e o dia 11, segundo a TV pública.

Ele acrescentou que membros da milícia voluntária Basij, que se consideram guardiões dos valores da Revolução Islâmica de 1979, também vão participar.

Safavi informou que as unidades de elite da Guarda vão apresentar uma ampla variedade de equipamentos de fabricação iraniana, o que inclui mísseis e foguetes de vários alcances.

“Nossa força aérea vai disparar dezenas de mísseis, inclusive os Shahab-2 e os Shahab-3 com ogivas de fragmentação”, disse o comandante.

Especialistas dizem que os Shahab-3 têm alcance de até 2.000 quilômetros, o que os torna capaz de atingir Israel e bases militares dos EUA no golfo Pérsico.

Os EUA suspeitam que o Irã queira colocar armas nucleares nesses mísseis. Teerã nega.

A Guarda Revolucionária, uma ala “ideológica” das Forças Armadas, com estrutura de comando à parte, realizou exercícios militares em abril no golfo Pérsico, com o objetivo anunciado de testar novos mísseis, torpedos e outros equipamentos.

Analistas interpretaram esses exercícios como uma ameaça velada de que o Irã poderia interromper o tráfego de navios petroleiros na região caso a tensão nuclear com o Ocidente se agravasse.

Safavi disse que os novos exercícios serão uma demonstração de “força defensiva”, mas que não representam uma ameaça a qualquer país da região.