Deputados republicanos discutem a reforma imigratória a portas fechadas

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Líderes republicanos traçaram a estratégia que seguirão na Câmara de Representantes. Mas muitos republicanos descartam legalizar indocumentado.

Os republicanos da Câmara de Representantes e seus líderes discutiram a portas fechadas como proceder uma reforma imigratória e até onde deve chegar. Uma reunião decisiva não só para a lei, como também para o futuro de seu partido com os votantes hispânicos.

À saída da reunião, disseram que no final de julho terão algumas medidas fora do Comitê, nada como a lei integral do Senado e sim uma solução antes do recesso de agosto.

“Esperamos ter uma reforma imigratória ampla reconhecendo que temos de lidar com os efeitos da lei de 86”, disse o deputado da Califórnia, Darrel Issa.

A lei de 86 mencionada por ele refere-se à anistia aprovada durante o governo republicano de Ronald Reagan, que favoreceu cerca de 2,5 milhões de indocumentados.

Issa disse que a medida adotada não só melhorará o fluxo dos que venham ao país, como também lidará com os 11 milhões de estrangeiros sem papéis que vivem nos Estados Unidos.

“Estou otimista de que no final deste processo vamos ter os votos. Mas será um processo longo”, advertiu o deputado Mario Díaz-Balart, republicano da Flórida (foto), um dos integrantes do Grupo dos Sete que redige um plano em segredo.

Aqui reconhecem-se as várias vozes conservadoras que apóiam uma reforma imigratória ampla com um caminho para a cidadania, mas está nas mãos do presidente da Câmara de Representantes, John Boehner (Ohio), que seu partido não se distancie ainda mais dos eleitores latinos.

Debate com condições

“Temos de impulsionar a política pública, não é sobre política eleitoral”, trata-se de ter um país mais forte e que esta nação de imigrantes represente toda nossa comunidade”, disse o legislador republicano da Califórnia, Jeff Denham.

Mas há condições: a segurança na fronteira e no interior deverá ser certificada antes de se proceder a uma legalização, disse o representante Trey Radel, da Flórida. “Não estamos falando de política, estamos falando da vida das pessoas”, acrescentou.

Pelo menos 38 republicanos da Câmara de Representantes pertencem a distritos de alta população latina, Por outro lado, 70 por cento dos republicanos estão em distritos de maioria branca não latina.

Muitos dos líderes conservadores na Câmara Baixa estão livres da pressão política durante este debate imigratório, mas os votantes latinos não são decisivos em seus distritos.

Membros da bancada latina da Câmara se reuniram com o presidente Obama. Dizem que os republicanos não podem dar as costas para uma reforma ampla.

Acrescentaram que encerram um futuro eleitoral para eles todos os meses quando 50 mil latinos se convertem em cidadãos americanos, e centenas de manifestantes lembraram o Congresso de que neste debate estão em jogo as vidas de imigrantes como eles.

Pouco antes da reunião republicana no Congresso, Obama reuniu-se com os membros do Comitê Hispânico do Congresso (CHC) na Casa Branca para discutir os esforços da administração para exortar a Câmara a tomar ação.

O governo pressiona para que os deputados aprovem um plano similar ao aprovado pelo Senado em junho e que inclui um caminho para a cidadania a milhões de indocumentados.

Obama agradeceu à facção eleitoral hispânica o trabalho a favor da reforma e aproveitou a oportunidade para ressaltar os benefícios de uma reforma imigratória como a aprovada pelo Senado.

Os custos econômicos da inação são simplesmente muito altos para adiá-los, disse a Casa Branca em um comunicado.

Acrescentou que o presidente também enfatizou que, “durante as próximas semanas, os membros de seu gabinete e os principais funcionários da administração levarão esse argumento econômico aos importantes grupos de interesse, incluindo os líderes empresariais, os legisladores estaduais e locais, os oficiais encarregados do cumprimento da ordem, os líderes religiosos, e o povo americano para que exortem a Câmara a fazer o correto sobre a imigração”.