Descoberto tipo de dano cerebral que ajuda a parar de fumar

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O estudo foi inspirado por um paciente que fumava cerca de 40 cigarros ao dia antes de ter um derrame, e que largou o hábito imediatamente depois

Uma região do tamanho de uma moeda grande, localizada nas profundezas do cérebro e chamada ínsula, está intimamente ligada ao vício no tabaco, e danos a essa estrutura podem eliminar por completo a necessidade de fumar, descobriram cientistas. O trabalho que descreve a descoberta será publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

Segundo nora distribuída pela Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS), que publica a revista, “obviamente provocar dano cerebral não é uma opção de tratamento para o vício em nicotina, mas os novos resultados poderão sugerir terapias para ajudar fumantes a se livrar do hábito, ou para acompanhar o progresso… nas terapias existentes”.

O estudo foi inspirado pelo caso de um paciente que fumava cerca de 40 cigarros ao dia antes de ter a ínsula danificada num derrame, e que largou o hábito imediatamente depois. Ele disse aos cientistas que seu corpo havia “esquecido a ânsia de fumar”.

A ínsula recebe informação de outras partes do corpo e, acredita-se, ajuda a traduzir esses sinais em sensações subjetivas, como fome, dor ou a necessidade de uma droga.

A equipe do autor do estudo, Antoine Bechara, estudou 69 pacientes com dano cerebral e que tinham sido fumantes antes de sofrer o dano. Dezenove deles tinham problemas que incluíam a ínsula. Treze os pacientes com a ínsula prejudicada haviam parado de fumar, e 12 deles, de modo fácil e rápido, informando que não tinham sentido vontade de fumar desde o abandono do hábito. Os autores não sabem por que os demais pacientes não pararam de fumar.

Pacientes com outros tipos de dano cerebral também pararam de fumar sem esforço mas, no geral, pacientes que abandonaram o vício com facilidade tinham muito mais chance de ter dano da insula que em qualquer outra parte do cérebro.