Designer brasileiro quer expandir obras para o mercado americano

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Com dez anos de experiência e sucesso na Europa, Brunno Jahara quer agora conquistar os EUA

Brunno Jahara

Joselina Reis

Os europeus recentemente se renderam aos seus desenhos com inspiração bem brasileira. Agora, o designer Brunno Jahara, de 34 anos, quer alcançar o mercado americano. O artista já expôs suas obras, que vão desde móveis até sua última paixão, a porcelana, em eventos em todo o mundo. Seus trabalhos também estamparam revistas especializadas no ramo em várias línguas, e agora, como todo artista que vê seu trabalho ser admirado e respeitado, ele quer alcançar novos mercados. Em maio do ano passado, Jahara, que é natural do Rio de Janeiro, mostrou um pouco do que sabe fazer no Design Week em New York. Com a participação no evento, o carioca quer definitivamente atrair os compradores americanos para suas peças.

As obras do artista, que se considera detalhista, geralmente envolvem uma mistura de formas e inspiração tropical. “Eu tenho muito orgulho da história da arquitetura brasileira. Tem muita personalidade”, disse ele, que ficou muito conhecido no Brasil após criar uma série de peças domésticas, intitulada Multiplástica Doméstica, feitas com tampas de garrafas plástica coletadas pela Associação Nacional de Reciclagem em São Paulo. Outra série que levou seu nome para as grandes revistas do ramo foi uma coletânea de peças de móveis feita em homenagem à arquitetura das favelas cariocas, que leva o nome de Neorustica.

AcheiUSA: Como você começou a sua carreira de designer?
Brunno Jahara: Comecei fazendo peças de design, pois não gostava do que havia no mercado na época no Brasil, e daí não parei mais. Isso foi há dez anos. Quando me formei em Desenho Industrial pela Universidade de Brasília, em 2002, resolvi aprimorar meus estudos e fiz o curso de Desenho Industrial na Universidade de Veneza (IUAV), na Itália, em 2004. Depois disso, fui convidado a fazer parte do departamento de Design da Fabrica, centro de pesquisas em comunicação criado por Oliviero Toscani.

AU: Quais são seus projetos no Brasil?
BJ: Eu abri meu primeiro estúdio em São Paulo, em 2010, e recentemente abri outro estúdio no Rio de Janeiro, em 2012.  Eu gosto de acompanhar de perto todos os processos nos dois estúdios, pois sou detalhista, mas claro que tenho assistentes e equipes técnicas para cada projeto que cuidam para que aconteçam os resultados de acordo com minha expectativa. Nos meus estúdios atendo diversos projetos, de mobiliário para a indústria e objetos exclusivos para lojas de design. Como, por exemplo, porcelanas, cristais, projetos de iluminação etc.

AU: Você tem planos para alcançar o mercado americano?
BJ: Gostei muito de ter participado na Design Week de New York. Meus estúdios apresentaram algumas peças que tiveram ótimo interesse do público. Agora, quero ter maior distribuição no território americano. Por isso, estou planejando trabalhar com mais pontos de vendas, como por exemplo Los Angeles, Miami, San Francisco. Para isso preciso encontrar interessados em ser parceiros distribuidores e representantes.

AU: Em uma entrevista a um website americano especializado em artes, você disse que ainda não há muito mercado para suas coleções no Brasil. Todo o seu material vai para o exterior?
BJ: Eu diria que 70% vai para fora. Na minha opinião, o mercado brasileiro é muito novo, apesar de estar crescendo. Já, lá fora, eu percebo que meu trabalho é mais facilmente assimilado.

AU: Em 2012, você foi convidado a desenvolver um projeto para companhia portuguesa Vista Alegre, especialista em porcelana. Como surgiu essa oportunidade?
BJ: Fui convidado pelo ID POOL, que é um programa de residência artística, a desenvolver uma coleção e fiquei trabalhando por quase três meses na fábrica desenvolvendo as peças, que são hoje produzidas por eles e distribuídas no mundo todo, uma excelente parceria. Foi nesse momento que comecei a olhar para a porcelana com outros olhos. Gostei imensamente de trabalhar o material, mas projeto com muita variedade de escolhas, normalmente cada projeto tem seu material, não tenho preconceitos.