Detentos brasileiros recebem ajuda para suportar dificuldades

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Capelão descreve o trabalho de pastores e psicólogos nas prisões de Broward

Existem atualmente 21 brasileiros detidos nas cinco prisões de Broward e para muitos deles os únicos meios de contato com o mundo exterior são através das cartas ou do serviço de capelania carcerária proporcionado pela própria delegacia do condado. Para realizar este trabalho, o Broward Sheriff’s Office (BSO) conta com a indispensável ajuda de vários pastores e profissionais da comunidade, que prestam a assistência necessária aos detentos nos aspectos psicológico e espiritual.

“Os brasileiros estão muito bem servidos neste particular, pois os religiosos e psicólogos que nos ajudam realmente estão sempre disponíveis e até mesmo vão além do serviço aos prisioneiros, pois cuidam também das famílias deles”, disse o capelão da BSO, Rick Braswell, que está há mais de 25 anos na função. Por motivos de segurança, ele não pode citar os nomes destes colaboradores voluntários, mas fez questão de elogiar a comunidade como um todo, segundo ele “trabalhadora e consciente de sua importância” na América.

Braswell acrescenta que os 21 detentos brasileiros que infringiram a lei – alguns têm também impedimentos com relação à imigração – representam um universo muito pequeno dentre os mais de 5.400 presos do condado. “Mesmo assim é importante que tenham a oportunidade de realizar a devoção em seu próprio idioma, o que no caso do português acontece sistematicamente aos sábados”, disse o capelão. Ele ressaltou que todos os detentos têm também oportunidade de se encontrar com os pastores ou psicólogos voluntários em visitas individuais, quando é mais fácil lidar com os problemas pessoais.

Além disso, o capelão lembrou que estes encontros com pastores e psicólogos são, muitas vezes, as únicas formas de interação com a comunidade. “Muitos amigos ou familiares dos imigrantes não têm documentos e, por isso, estão impedidos de visitar um prédio federal. Então, os voluntários servem também para aplacar um pouco a solidão e servir de ligação dos prisioneiros com a própria cultura”, explicou.
Braswell aproveitou para dizer que, graças ao trabalho de capelania, que inclui serviços religiosos, tratamento médico e atendimento psicológico, os detentos têm a chance de transformar suas vidas. “Os brasileiros, de um modo geral, têm medo da polícia, mas aqui os prisioneiros são tratados como seres humanos”, garantiu o capelão.

Dados sobre as prisões do BSO

5 prisões (três em Pompano Beach, duas em Fort Lauderdale)
5.400 detentos (sendo 21 deles brasileiros)
200 cultos/missas por semana – um serviço em português (aos sábados)