DIÁRIO DE BORDO I – Da Flórida a St. Louis, o Portal do Oeste

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Por Chico Moura (chicomoura@gmail.com)

Especial para o AcheiUSA

No dia 4 de outubro de 2011, a festa dos meus 65 anos foi comemorada em Columbia-SC, onde Carlos Moura, meu filho, após se graduar do seu curso superior de capitão (em breve será major do Exército dos EUA), recebeu ordens de transferência para Las Vegas, onde comandará o Headquarters Company da Brigada de recrutamento do Exército americano naquela região, no estado de Nevada. Como ele faz aniversário no dia 3 de outubro, resolvemos registrar o momento percorrerendo, a bordo de uma BMW 745 LI, mais de 10 mil quilômetros pelos Estados Unidos. Para se ter uma ideia do nosso roteiro, basta olhar o mapa dos EUA e visualizar um triângulo: uma base em Miami (sudeste), a outra em Las Vegas (sudoeste) e a ponta de cima (norte) no estado de South Dakota.

Estados que percorremos: Flórida, Geórgia, South Carolina, North Carolina. Tennessee, Kentucky, Illinois, Missouri, Iowa, Nebraska, South Dakota, Wyoming, Montana, Idaho, Utah, Arizona e Nevada.

Data da saída: Dia 2 de outubro

Saímos de Miami às 11h50 da manhã, num trem da Amtrak com direção a Columbia, South Carolina. Preço da passagem: $75 por pessoa. Duração da viagem: 16 horas. Trem é uma coisa que sempre me fascinou. O carro-restaurante, o vagão do bar, um salão onde as pessoas podem jogar cartas, ler livros, conversar, fazer novas amizades. O vai-e-vem é um momento de muita confraternização, de descobertas. Ao lado de cada poltrona pode-se encontrar duas tomadas de energia, proporcionando a facilidade de nunca se estar sem telefone celular ou internet. O preço do jantar, com quatro ou cinco boas opções de comida, gira em torno dos 18 dólares, mais taxa e gorjeta. O Amtrak continua com o mesmo glamour de décadas passadas – o uniforme azul dos funcionários, com os seus característicos chapéus, os apitos…

Cruzamos os estados da Flórida e Geógia e chegamos em Columbia às 4h00 da manhã de segunda-feira.

Dia 3 e 4 de outubro

A chegada em Columbia

O Fort Jackson é o maior centro de treinamento militar dos EUA. Meu filho, que já é capitão há mais de três anos, voltou da guerra do Afeganistão, terminou seus estudos avançados em Ft, Jackson-SC e recebeu ordens de transferência para Las Vegas. Isto é o que eles chamam de Permanent Change of Station (PCS).

Ficamos no nosso primeiro hotel, um Hampton Inn. No jantar, aproveitamos para comemorar os nossos aniversários em Myrtle Beach-SC a três horas de viagem de Columbia. A churrascaria Rioz, do amigo Orlando Priessler está localizada em frente à Broadway at the Beach, a praia mais badalada do estado de South Carolina. Orlando, gaúcho de São Leopoldo, mostrou mais um complexo gastronômico que abriu há menos de uma semana, o Capriz, o mesmo nome de um restaurante que a família mantém há muitas décadas na sua cidade natal.

Dia 5 de outubro

Saímos de Columbia em direção a Nashville, no Tennessee, capital da música country americana. Enchemos o tanque da BMW a $3.53 o galão da gasolina premium. Passamos por North Carolina e à noite chegamos ao Hampton Inn de Nashville. Após um maravilhoso café da manhã, até semelhante aos dos hotéis brasileiros, fomos caminhar pelo famoso The District, um quadrado de uns oito blocos de quarteirões de Downtown, que incluem três distritos históricos: Broadway, Second Avenue e Printer’s Alley. Já nas ruas, sentimos a forte presença do country style. Pessoas de botas, chapéus, cintos coloridos e camisas quadriculadas decorando a região. E os chamados Honky Tonks e Dive Bars, com especial destaque para o Robert’s Western World, o melhor bar temático western dos Estados Unidos.

Mas, como não poderia deixar de ser, encontramos na Belcourt Ave., a Bombasha, uma recém-aberta churrascaria brasileira, sob o comando do piauiense Airton Rodrigues. Após 12 anos de muito trabalho na construção, Airton abriu o seu primeiro restaurante, contratando, entre outros profissionais, o goiano Wesley Monteiro, garantia de qualidade para as carnes, no nosso melhor estilo brasileiro.

Ainda no estado do Tennessee, registramos a presença dos nativos Billie e Miley Cirus, Dolly Parton e Elvis Presley.

Dia 6 de outubro

À tarde, cruzamos pela rota 24 um pedaço do Kentucky (terra natal do presidente Lincoln), um estado de muita agricultura e bonitas fazendas. Dirigimos ainda pelo estado de Illinois, até cruzar o rio Mississippi, com destino a St. Louis, no Missouri. Nesta região, registramos a gasolina (unleaded regular) ao preço de $ 2.99. Quando liguei para o Jorge Nunes (publisher do AcheiUSA) dizendo que passava por St. Louis, ele me respondeu que eu estava no portal (ou portão) do Oeste. Na hora não prestei muita atenção, mas aos poucos fui entendendo a razão do arco de 192 metros de altura, considerado o monumento mais alto dos Estados Unidos, com um custo de construção (na época, em 1963) de 13 milhões de dólares (hoje seriam 100 milhões), representar alguma coisa como símbolo da expansão americana para o Oeste. De fato, o Arco de St. Louis pode ser considerado o Portão do Oeste.

A população da cidade é de 320 mil habitantes, mas somente o Arco recebe mais de 4 milhões de visitantes por ano. Mais uma vez ficamos hospedados no Hampton Inn, com jaccuzzi e piscina de água quente indoors, bem ao lado do Arco. Tomamos a bênção no Mississippi River, o maior rio dos Estados Unidos, que desde a sua nascente, em Minnesota, alimenta (com seus afluentes) 31 estados americanos, percorrendo 4.075 quilômetros até o Golfo do México. Assim como o nosso antigo edifício do Suntrust (atual Bank of America) em Miami, o St. Louis Arch também muda de cor conforme a ocasião. Na época, por exemplo, estava meio vermelho alaranjado, pela festa de Halloween que se aproximava. Preocupado com a água ou o óleo do carro, perguntei ao meu filho várias se não deveríamos dar uma checada no motor.
E ele sempre me respondia: “Pai, este carro é uma BMW. Não há que se preocupar com óleo nos próximos seis meses…”


Diário de Bordo: uma volta pelos Estados Unidos com Chico Moura