Diga não à detenção

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Muitos moradores de Southwest Ranches são contra a construção de um centro para abrigar imigrantes

Por Joselina Reis
Especial

Moradores da cidade de Southwest Ranches (SWR) estão em campanha para tentar barrar a construção de um Centro de Detenção para Imigrantes Ilegais. Eles alegam falta de segurança e infraestrutura para o empreendimento. Já os políticos da região estão entusiasmados com a possibilidade de arrecadar até $ 1,5 milhão ao ano em receita para os cofres municipal e estadual, além de gerar novos empregos.
A obra e administração serão realizadas pela empresa privada Corrections Corporation of America (CCA). O projeto, ainda sem data para sair do papel, pode abrigar até 1.400 detentos, a maioria seria formada por imigrantes ilegais esperando por deportação, não necessariamente criminosos. Entretanto, moradores não estão tão confiantes quanto a origem dos detentos. “Eles falam isso no início, mas você não pode confiar em governo”, disse uma moradora na 188 Street que não quis identicar-se.

Ela também acredita que a construção pode trazer mais tráfego para a região o que não agrada a ninguém. Southwest Ranches tem apenas 7.400 moradores, os ranchos não possuem rede de esgoto ou água encanada, mas as propriedades estão avaliadas em pelo menos meio milhão de dólares. A infraestrutura para o Centro de Detenção será oferecida pela cidade vizinha, Pembroke Pines, que já confirmou a ajuda, mas não quer envolver-se na campanha dos moradores de SWR.

A prefeitura de Pembroke Pines também confirmou que oferecerá policiamento e atendimento pelo Corpo de Bombeiros, entretanto a ajuda não seria gratuita. Os cofres públicos na cidade vizinha podem engordar em até um milhão de dólares ao ano.

Enquanto as obras não começam, os moradores estão reunindo forças para barrar o projeto. Além de colocar placas nos jardins de suas casas, eles também criaram um site na internet para deixar todos informados sobre o que está acontecendo na pequena cidade.

O www.noprisonswr.org foi criado há menos de seis meses, e segundo um dos organizadores, o morador, Bill di Scipio, tem ajudado a manter a população unida. “Queremos ainda mais gente do nosso lado, e os brasileiros são bem- vindos”, disse ele em entrevista ao AcheiUSA. Uma petição online está disponível no site para visitantes. Ele afirma ter mais de 11 mil assinaturas virtuais.

Bill mora na região há seis anos e não quer uma prisão como vizinho. Ele disse que não é contra imigrantes e que a solução não seria deportá-los, mas, sim, criar uma lei de imigração que ajude a solucionar o problema. “Isso não é humano”, enfatizou.

Outro problema, segundo ele, seria a privatização de um serviço que deveria ser problema do Estado. Ele acredita que a prisão vai se tornar o novo caça-níqueis de políticos e empresas privadas. “Encarcerar imigrante ilegal vai virar dinheiro”, alertou.

Outro morador, que se identificou apenas pelo primeiro nome, Jimmie, também está na campanha. E está doando cartazes para os vizinhos. As placas “No, Prison” podem ser vistas em quase todas as casas na 188 Street. Ele também afirmou não ser contra imigrantes, porém teme que eles estariam tirando emprego de americanos. “Nos Estados Unidos, é muito fácil entrar e começar a trabalhar. Duvido que o Brasil tenha esse problema”, acredita.

Empresa é proprietária de terreno em SWR

A empresa privada, Corrections Corporation of America (CCA), comprou uma área de 24 acres em SWR na década de 90. Na época, o Governo Federal já tinha planos para uma obra semelhante para presos comuns, mas o projeto não foi adiante. Agora, o U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) precisa de um local maior para abrigar os imigrantes ilegais presos que esperam até um mês para deportação.

O centro, se construído em SWR, será o maior no sul da Flórida. O Centro de Processamento em Miami Dade possui 581 vagas, o de Pompano Beach, 700 camas. Ano passado, segundo levantamento do ICE, divulgado pela imprensa, quase 400 mil imigrantes ilegais foram deportados. A expectativa é que esse número aumente nos próximos anos.

O AcheiUSA tentou entrar em contato com a prefeitura de Pembroke Pines e Southwest Ranches, entretanto ninguém respondeu aos emails ou telefonemas até o fechamento desta edição.