Dilma chora em Brasília ao receber relatório sobre a ditadura

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Presidente reeleita disse que ter acesso à verdade não “significa revanchismo”; documento consiste de três volumes e é fruto de quase três anos de pesquisa

DA REDAÇÃO COM G1

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A presidente Dilma Rousseff se emocionou e foi ás lágrimas na quarta-feira (10), durante a cerimônia de entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade. Dilma chorou ao fazer referência aos brasileiros que perderam parentes e amigos no combate à ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. Ex-presa política, a presidente reeleita afirmou em seu discurso que o documento, elaborado ao longo de dois anos e sete meses, ajuda o Brasil a “se reconciliar consigo mesmo” após as duas décadas de regime militar.

“Estou certa de que os trabalhos produzidos pela comissão resultam do esforço pela procura da verdade, respeito da verdade histórica e estímulo da reconciliação do país consigo mesmo, por meio da verdade e do conhecimento”, declarou Dilma.

A presidente reeleita disse ainda que ter acesso à verdade não “significa revanchismo”. “A verdade faz com que agora tudo possa ser dito, explicado e sabido. A verdade significa a oportunidade de fazer o encontro de nós mesmos com nossa história e do povo com a sua história”, disse. “Mereciam a verdade aqueles que continuam sofrendo como se morressem de novo, e sempre, a cada dia”, afirmou.

Responsáveis e vítimas
A Comissão da Verdade entregou à presidente, na manhã da quarta, o relatório final sobre as violações aos direitos humanos cometidos entre 1946 e 1988, especialmente na ditadura militar, de 1964 a 1985. A divulgação ocorre na data em que se celebra o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

O documento lista os responsáveis pela repressão política, além de 434 vítimas dos crimes cometidos. Há ainda a relação dos locais onde ocorriam as sessões de interrogatórios forçados, prisões ilegais e desaparecimentos forçados. A íntegra dos três volumes, com mais de 2 mil páginas, será disponibilizada às 11h no site oficial da comissão.

Um grupo de militares recorreu à Justiça para tentar barrar a divulgação do documento, no entanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) negou a socilitação.

Para Dilma, as novas gerações e aqueles que perderam familiares e amigos mereciam saber a verdade sobre os acontecimentos que marcaram o período da ditadura militar. A presidente destacou ainda que o acesso à informação é necessária para pacificar o país e evitar mágoas.

“Esperamos que esse relatório contribua para que fantasmas do passado doloroso e triste não possam mais se proteger das sombras do silêncio e da omissão. A ignorância do passado não pacifica.”

O relatório é composto de três volumes e dividido em 18 capítulos.