Doações online produzem filme no Brasil

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Atriz americana e ator brasileiro usam sites de financiamento coletivo para arrecadar recursos para filmagens

Joselina Reis

Iyin Landre e o brasileiro Douglas Rosa durante filmagem do trailer promocional
Iyin Landre e o brasileiro Douglas Rosa durante filmagem do trailer promocional

Uma ideia na cabeça, nada no bolso, mas muita vontade de fazer arte e produzir cinema. Esse foi o enredo que levou a americana Iyin Landre ao Brasil para convidar Douglas Rosa a fim de juntos protagonizarem o primeiro longa metragem independente da sua carreira. O filme “Eu+Você” está na fase de pré-produção, escolha de atores, locações e equipe. As filmagens estão marcadas para começar em janeiro e terminar ainda antes do carnaval. E até agora tudo só foi possível graças aos sites de financiamento, onde o projeto conseguiu o investimento de $75 mil.

Iyin Landre, que além de atuar, escreveu e dirige a história, conta que o dinheiro ainda não é o suficiente, mas a aceitação superou a expectativa. “Fizemos bem em acreditar nessa opção, deu certo, mas ainda falta dinheiro para que o filme entre no circuito. Ainda estamos procurando pessoas interessadas em investir no nosso projeto, interessadas em realizar cinema independente no Brasil”, conta, lembrando ainda que por contar uma história multicultural e em duas línguas o filme pode ter longo alcance.

A inspiração para a história, segundo ela, veio após assistir filmes brasileiros como Tropa de Elite, de José Padilha. Com a ideia na cabeça ela viajou ao Brasil pela primeira vez em maio de 2012 e, sem conhecer o país, gravou o trailer para o filme, as cenas estão sendo usadas para apresentar a ideia a possíveis patrocinadores, arrecadar fundos e realizar o sonho de produzir seu primeiro longa-metragem.

Veja abaixo entrevista com a diretora Iyin Landre e o ator catarinense Douglas Rosa.

AcheiUSA: Qual a história do seu filme?
Iyin Landre: “Eu+Voce?” é uma aventura cheia de suspense, sobre uma garota norte-americana que viaja ao Brasil, e se apaixona loucamente por um traficante na cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Valentina viaja ao Brasil perturbada pela recente morte de sua mãe; seu destino encontra o de Marcelo, numa atração fulminante. Juntos, eles embarcam em uma aventura com muito romance, drogas e caos. À medida que o mundo vai despencando ao redor deles, as coisas ficam fora de controle desencadeando uma vida de crimes. A única coisa que ela possui é o amor que eles sentem um pelo outro.

AU: Porque você escolheu produzir o seu próprio filme?
IL: Eu sou americana, de NY, com raízes taiwanesas, e já trabalhei alguns anos como atriz em Los Angeles. Mas com o tempo percebi que personagens bons, expressivos, dificilmente seriam dados a uma atriz de descendência asiática, foi quando decidi estudar direção e roteiro, assim poderia criar oportunidades para mim e não só esperar para que elas aparecessem. Foi o que aconteceu, agora estou prestes a protagonizar meu primeiro filme.

AU: Como surgiu a ideia de buscar apoio por doações online para o filme?
Douglas Rosa: Pensamos em várias possibilidades, como as leis de incentivo, mas é um caminho longo e penoso. O crowdfunding (websites onde os interessados expõe seus projetos e ficam à espera de doações) acabou sendo um caminho natural, também pela ansiedade que tínhamos. Nossa experiência nesse formato de arrecadação mostrou que no Brasil ainda enfrentamos um pouco de resistência das pessoas por falta de uma consciência cultural. Mas mesmo assim já conseguimos mais de U$75 mil em 40 dias de arrecadação online.

AU: Como estão as filmagens?
DR: Pretendemos rodar a partir de janeiro próximo à Zona Sul para facilitar a locomoção da equipe, que será pequena devido ao nosso orçamento. Uma das ideias é filmar no Vidigal, lugar onde eu moro há dois anos, e aproveitar os ótimos atores que vivem na comunidade. Ali nasceu e fica a sede de uma das melhores companhias de teatro do Rio de Janeiro, a trupe Nós do Morro. Se tudo der certo, vamos terminar no início do carnaval.

AU: Como é gravar um filme independente no Brasil? Vocês já tem algum plano para a pós-produção e distribuição?
DR: Fazer cinema em qualquer lugar do mundo nunca foi fácil, mas hoje o cinema tornou-se mais acessível, surgiram equipamentos mais baratos, surgiu mão de obra e pequenas produtoras. O mercado de filmes independentes no Brasil não é exatamente um mercado, é uma forma de realizar cinema. O motivo pelo qual trabalhamos é para que nosso filme seja distribuído para todo Brasil, América Latina, EUA e Ásia e reproduzido no maior número de salas possíveis. Para isso nós estamos fazendo o “Eu+Você” em duas línguas (português e inglês), para ter uma história mais autêntica, e também para ampliar seu alcance, nesse mundo cada vez mais multicultural.