Dois sistemas politicos que precisam ser revistos

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Antonio Tozzi

Brasil e Estados Unidos passam por momentos atípicos em suas políticas internas. Nos EUA, nem mesmo a reeleição de Barack Obama como presidente do país serviu para diminuir a tensão entre os ativistas dos dois principais partidos Democrata e Republicano e pouco se tem feito para se chegar a um consenso, seja lá qual for o tema tratado.

Recentemente, políticos republicanos e democratas não conseguem encontrar um meio termo para evitar que os cidadãos do país sejam punidos por idiossincrasias dos “representantes do povo”. Desta forma, não se aprova o orçamento, a reforma imigratória ainda está andando lentamente e o controle de armas não pôde ser implantado, apenas para ficarmos nos temas mais candentes.

A intransigência das duas partes está provocando mais desemprego no país e a desativação de medidas de segurança que podem colocar em risco a vida das pessoas que moram nos EUA. O exemplo mais claro é o fechamento de várias torres em pequenos aeroportos que servem para orientar os voos de pequenas aeronaves porque não há como pagar os orientadores das torres.

Os republicanos dizem que aprovam o que for necessário desde que o governo corte gastos, uma vez que, na opinião deles, o Estado é muito paternalista e não consegue funcionar dentro de um orçamento mais restrito. Ou seja, eles acham que o orçamento seria suficiente se o governo fizesse a parte dele. Por contenção de gastos, entenda-se, os administradores governamentais teriam de cortar verbas de programas sociais que ajudam a camada mais pobre da população.

Os democratas, por sua vez, defendem a manutenção dos programas sociais e lutam por aumento de impostos dos americanos que formam a camada mais rica da população. Algo que os republicanos repudiam veementemente, por considerar que isto é como punir os empreendedores bem sucedidos que souberam como fazer dinheiro e não devem financiar aqueles que não tiveram capacidade para encontrar o caminho da fortuna. Em suma, os “losers”, como se fala aqui.

Na questão de controle de armas, os defensores da posse de armas afirmam que o governo não ataca a questão de frente. Em vez de a polícia jogar duro com bandidos e traficantes de drogas, quer tirar o direito dos cidadãos que cumprem a lei de defender suas famílias e seus bens.

Já os opositores da posse indiscriminada de armas argumentam que na sociedade moderna, com um efetivo aparato de segurança, ter uma arma em casa torna-se desnecessário e, pior ainda, perigoso, por dar margem a crimes no momento de impulso. Tragédias que poderiam ser evitadas se os cidadãos não tivessem armas em seus lares.

Como se vê, a discussão é interminável. Mas, o importante é que há debate. No Brasil de hoje, pelo contrário, isto não existe. O governo controla o executivo, o parlamento e boa parte da Suprema Corte de Justiça. Atualmente, não há nenhum partido oposicionista forte que possa desafiar os atos e as medidas do governo.

Assim, o que se está vendo é um festival de distribuição de cargos em troca de apoio político tanto que o país tem quase 40 ministérios! -, neocoronelismo através de distribuição de cestas básicas e outras artimanhas que manietam qualquer tentativa de um grupo surgir como uma opção ao atual governo. Condução sine qua non num regime democrático é ter a alternativa de mudança no poder, quando a população estiver insatisfeita.

Antigamente, os coronéis nordestinos davam um sapato e mandavam o sujeito votar no candidato indicado por ele para poder ganhar o outro pé que formaria o par. Agora, a ameaça vem clara: não vote na oposição porque senão você perderá a bolsa-família. Neocoronelismo puro! Claro que sou favorável aos que mais necessitados recebam algum tipo de ajuda, mas não algo assim como um cabresto e sem incentivos para que os beneficiários do bolsa-família possam sair da miséria e dar um salto social.

Não sou cientista politico, mas acho que nos dois países deveria haver entre quatro e cinco partidos políticos, que pudessem acomodar os vários viés ideológicos. Hoje, vemos socialistas ao lado de donos de terra acomodados no Partido Democrata por pura conveniência, e no Partido Republicano conservadores esclarecidos precisam conviver com os trogloditas do Tea Party.

No Brasil, vemos hoje a mesma coisa. Latifundiários ao lado de líderes do MST, industriais de mãos dadas com sindicalistas, estudantes da UNE amordaçados em troca de meia-entrada em cinemas, direita e esquerda se fundiram e se confundiram que ninguém mais é capaz de apontar quem está do outro lado. Pior, todos estão unidos a favor da corrupção. A cada dia, é um novo personagem enxovalhado pela mídia por seus atos escusos. O mais recente é Lindenbergh Farias, petista que pretende ser governador do Rio. Sua gestão como prefeito de Nova Iguaçu, segundo a revista Época, foi lamentável e primou pelo clientelismo e corrupção. Para quem não sabe, ele foi o líder dos “caras pintadas” que derrubaram Fernado Collor de Mello do governo. Hoje, quem diria, são aliados em defesa do atual governo.