Dólar alto faz vendedores que falam português sumirem de boutiques chiques de NY

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No auge da imagem do Brasil como possível potência econômica, na virada da década passada, profissionais capazes de atender em português eram disputados por grifes exclusivas

A recente alta do dólar no Brasil não dificulta apenas a viagem de turistas aos Estados Unidos. Quem trabalha no país esperando faturar com a vinda de brasileiros também já sente os efeitos da virada da moeda americana na economia brasileira, mostra reportagem da Folha de S.Paulo. Em lojas de luxo de Manhattan, em New York, já é bem mais difícil encontrar vendedores que falam português.

No auge da imagem do Brasil como possível potência econômica, ocorrido na virada da década passada, profissionais capazes de atender em português eram disputados por grifes exclusivas, como a Louis Vuitton.

A loja da Prada no bairro do Soho chegou a empregar três vendedores fluentes em português em 2010. Agora, pede a grupos de brasileiros que “avisem com antecedência de alguns dias”, para conseguirem comissionar funcionários que entendem a língua.

A Macy’s diz em seu site ter um lusófono. A Folha visitou o prédio da 5th Avenue da loja de departamento em três datas no mês passado e ele não estava disponível. Tentando comprar em português, a reportagem foi atendida em espanhol nas três visitas.

A loja da 5th Avenue da francesa Louis Vuitton tem, atualmente, apenas uma vendedora que fala português. Antes eram duas.

Interesse é por chineses
Ana Souza, 27, trabalhou em três lojas de departamento durante os cinco anos em que morou em Nova York. Está de volta a Vitória, sua cidade natal, faz dois meses. “Fiquei um ano procurando emprego. Meu visto de trabalho expirou e tive de voltar.”

“Parece que um certo interesse por funcionários chineses está acontecendo ao mesmo tempo em que há queda na procura por vendedores brasileiros, portugueses ou de países da África que dominem o português”, diz a analista de recursos humanos Tina Schuster, que recruta para marcas de luxo.