Dólar alto torna Europa e Nordeste do Brasil mais atraentes que EUA para turista

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Entretanto, órgãos dos Estados Unidos não veem queda em pedidos de visto; empresária brasileira afirma que alta até muda planos de clientes mas não os faz desistir de vir

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Empresária Priscila Goldenberg, pioneira em consultoria para enxovais

Empresária Priscila Goldenberg, pioneira em
consultoria para enxovais

DA REDAÇÃO (com Folha de S.Paulo e Agência Brasil) – A recente alta do dólar, que já bateu os R$ 3.20 e deve se firmar nesse patamar durante o ano de 2015, preveem economistas, já vêm fazendo com o que turistas que tinham viagem marcada para os Estados Unidos revejam seus planos de viagem. Para driblar a alta da moeda americana, turistas têm procurado destinos alternativos, optando por viajar pelo Brasil e até para a Europa. Segundo executivos do setor, a maioria dos brasileiros não vai desistir de viajar por causa do câmbio, mas altera os destinos do passeio.

“A alta do dólar tem favorecido as viagens pelo Brasil e para a Europa, já que o euro também se desvalorizou em relação à moeda americana”, diz Luiz Eduardo Falco, presidente da agência de viagem CVC. “É comum o consumidor adaptar a viagem de férias de acordo com o orçamento. Mesmo em época de alta do dólar, o brasileiro não abre mão de viajar a lazer”, acrescenta.

São com pacotes mais completos, em esquema “all inclusive”, incluindo refeições, e promoções que as agências de turismo esperam conquistar turistas neste ano, inclusive no exterior. “O sistema tudo incluído ajuda a evitar gastos extras no destino”, diz Falco. Parcelamentos sem juros e promoções de câmbio reduzido também são outras apostas da CVC para esse período de demanda enfraquecida.

Um 2015 desafiador
Prevendo um ano difícil, as agências e operadoras de turismo já prepararam, mesmo antes da alta do dólar, liquidações para o período de baixa temporada, que vai até o início de junho.

“Mesmo com essa alta recente do dólar, alguns destinos, em reais, estão mais baratos do que no ano passado”, diz Edmar Bull, vice-presidente da Abav (Associação Brasileira das agências de Viagens). “Temos viagens para Portugal a partir de $500 para o Carnaval do ano que vem”, citou.

Apesar das promoções, o setor de turismo diz ainda não ter percebido o impacto do dólar nas vendas. Como a alta mais forte da moeda norte-americana ocorreu após o Carnaval, já em baixa temporada, o câmbio não inibiu as compras, já enfraquecidas. “Isso `a disparada do dólar na baixa temporada` foi até um certo alívio para nós”, diz Magda Nassar, vice-presidente da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo).

Para a empresária Priscila Goldenberg, que há seis anos comanda, de Miami, uma empresa que auxilia gestantes a fazerem enxovais nos EUA, a alta do dólar ainda não representou uma queda no número de clientes, mas altera suas intenções de gastos. “Não tive diminuição nenhuma em minha clientela, mas noto que quem queria vir e comprar, por exemplo, um carrinho de bebê de $1,5 mil, já prefere vir e adquirir um produto da mesma qualidade, mas que custe, no máximo $700”, diz.

A consultora explica que mesmo com o dólar mais alto, há itens que continuarão sendo mais vantajosos de serem comprados nos EUA do que Brasil. “Um carrinho que é hit entre as gestantes brasileiras é da marca europeia Quinny. Por aqui, há modelos dele que custam $350. No Brasil, há locais que vendem esse mesmo carrinho a R$ 5 mil”, conta. “Nem que o dólar vá a R$ 6 ainda será atraente vir fazer compras aqui.”

Demanda por vistos
Um tendência de prefência pela Europa por parte do turista não é identificada, contudo, pelas autoridades norte-americanas. A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, disse na quarta-feira(18) que, até o momento, a demanda de vistos de turismo por brasileiros para seu país não foi afetada pela alta do dólar.

Em visita ao Rio de Janeiro, a embaixadora destacou o fato de esta época não ser de alta temporada para o turismo em seu país. “Geralmente, esse não é um momento de alta demanda. Mas eu estive na Califórnia, na semana passada, e me reuni com algumas empresas aéreas. Eles falavam que o número de brasileiros viajando para o estado da Califórnia tem aumentado e que estão pensando até em abrir uma linha direta de São Paulo a São Francisco. Mas temos que monitorar para ver como o impacto da economia afeta a decisão dos brasileiros em viajar.”

A expectativa de Liliana é a de que a desvalorização do real em relação ao dólar seja “algo passageiro”. “Esperamos que o ajuste econômico funcione de tal maneira que as pessoas possam continuar visitando, estudando ou fazendo negócios nos Estados Unidos, que era algo que vinha crescendo bastante. Esperamos poder contar com isso.”