Donos da Ambev compram ketchup Heinz por $28 bilhões

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Para fechar o negócio, eles se juntaram ao bilionário americano Warren Buffett

A Berkshire Hathaway, conglomerado do bilionário Warren Buffett, e a 3G Capital, dos brasileiros donos da Ambev, anunciaram nesta quinta-feira (14) acordo para comprar a H.J. Heinz por $ 28 bilhões, incluindo a dívida.

A Heinz afirmou que a operação é a maior já realizada na indústria de alimentos. O valor do negócio é equivalente a $ 72.50 por ação, cujos papéis disparavam nos Estados Unidos.

A fabricante norte-americana de alimentos não informou a parcela desembolsada pela Berkshire e pela 3G, que tem entre os sócios os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira. Os três brasileiros possuem fortunas estimadas em $ 12 bilhões, $ 5.7 bilhões e $ 5.2 bilhões, respectivamente.

Entre os negócios da 3G Capital, estão as empresas AB Inbev (maior cervejaria do mundo), a rede de fast-food Burger King e a empresa de comércio eletrônico B2W.

No Brasil, a Heinz é dona da marca Quero Alimentos, depois de pagar cerca de 1 bilhão de reais por 80 por cento da companhia há cerca de dois anos.

“É meu tipo de negócio e é meu tipo de parceiro”, afirmou Buffett à rede CNBC. Ele acrescentou que a Berkshire e a 3G Capital serão sócios em partes iguais na Heinz. Segundo a CNBC, cada sócio vai contribuir com $ 4.5 bilhões em recursos para a compra.

A Heinz informou que o acordo será financiado com recursos da Berkshire e da 3G, além de rolagem de dívida e financiamento dos bancos JP Morgan e Wells Fargo.

Brasileiros “fabricantes de dinheiro”

Este é mais um negócio de visibilidade feito pela 3G Capital, que se vem destacando como um dos principais players no cenário internacional. Tudo começou quando eles aproveitaram a oportunidade de promover uma verticalização no setor de cervejaria do Brasil ao conseguir fundir a Antarctica e a Brahma, antes arquirrivais pela liderança no segmento de cervejas no território brasileiro.

O processo de consolidação de cervejas continuou na América Latina, depois de a Ambev (como foi batizada a nova empresa) começar a adquirir concorrentes no continente, como a Quilmes da Argentina. A grande tacada, no entanto, foi a fusão com a Interbrew da Bélgica, fabricante da cerveja Stella Artois. A parceira deu origem à AB Inbev e se tornou uma potência no setor.

De tão poderosa conseguiu até mesmo comprar a Anheuser Busch, fabricante da Budweiser, a líder de mercado de cervejas nos Estados Unidos. E a empresa está ainda tentando ser a nova dona do Grupo Modelo, que produz a popular cerveja mexicana Corona. Mas a Constellation Brands, licencidada do Grupo Modelo nos EUA, está tentando impedir esta aquisição.

Por falar em bebidas, a 3G Capital comprou da Diageo, maior produtor mundial de bebidas finas, o controle acionário da Burger King Corporation, que disputa o segundo lugar entre as redes de lanchonetes que comercializam hambúrgueres nos EUA com a Wendy’s. Depois de assumirem o controle, revitalizaram a marca e estão com postura mais agressiva no mercado.

Agora, os “Brazilian money makers” como foram batizados Lemman, Telles e Sicupira conseguiram também arrebatar o ketchup e a mostarda que vão em cima do hamburger. Vale lembrar que a companhia pertencia à Maria Tereza Heinz, herdeira do grupo, e atual esposa do senador John Kerry, recém-nomeado para o importante cargo de secretário de Estado no novo gabinete do presidente Barack Obama.