Dream Act é rejeitado novamente no Senado

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Projeto fazia parte de pacote sobre segurança que recebeu apenas 56 dos 60 votos necessários. “Não é hora de apresentar um tema como esse, às vésperas da eleição”, disse senadora republicana Susan Collins

A estratégia do líder da maioria do Senado, o democrata Harry Reid, de incluir uma emenda sobre o Dream Act em um projeto acerca do orçamento na área de segurança nacional esbarrou mais uma vez na oposição dos republicanos e na má-vontade até de alguns poucos parlamentares do partido do presidente Barack Obama. A proposta foi derrotada por 56 a 43 votos na tarde desta terça-feira e o debate sobre a possibilidade de legalização de milhares de estudantes indocumentados não vai adiante, pois eram precisos 60 votos favoráveis.

Ficou claro pelo depoimento dos senadores que o Dream Act foi realmente o ponto conflitante do pacote. “Eu sou contra a imigração ilegal e estou desapontado que os políticos de Washington DC estejam brincando com um assunto sério, como os gastos militares, para aprovar um tipo de anistia a indocumentados”, lamentou o senador republicano moderado Scott Brown, de Massachusetts, que já votou em outras oportunidades com os democratas. A maior queixa do partido de oposição ao governo foi em relação à forma como a matéria foi introduzida na pauta, inserida num projeto amplo e sem a possibilidade de inclusão de emendas. “Não é hora de apresentar um tema como esse, às vésperas da eleição”, disse outra senadora, Susan Collins, do Maine. Outro ponto polêmico do pacote diz respeito à tolerância de homossexuais nas Forças Armadas americanas, que no projeto recebeu o nome de diretriz ‘Don’t ask, don’t tell’.

Em defesa dos democratas, o senador Carl Levin, do estado de Michigan, disse que a proposta seria aberta ao debate tão logo fosse aprovada nesta primeira etapa. “Somente com o projeto de lei em pauta poderíamos abrir para emendas e acordos”, justificou. O porta-voz de Reid também lamentou a atitude da oposição: “A votação de hoje mostrou que os republicanos costumam obstruir o debate de qualquer proposta democrata, inclusive aquelas fundamentais para o povo americano”, disse Jim Manley, assessor do líder da maioria.

O Dream Act regularizaria a situação imigratória dos estudantes – através da residência temporária – prestes a ingressar nas universidades ou nas Forças Armadas. O projeto recebeu apoio de políticos em campanha, celebridades e ativistas. Segundo estatísticas, cerca de 65 mil jovens indocumentados se formam na high school todos os anos nos EUA, mas não podem ingressar em cursos superiores porque não têm documentos e nem recursos para pagar as anuidades exorbitantes das universidades. “Precisamos abrir caminho para os jovens sem documentos nos Estados Unidos, que estão em condições de ingressar na universidade ou que estariam dispostos a se engajar nas Forças Armadas ao fim de seus estudos universitários”, explicou Reid.