DREAMers dizem que Obama pode dar alívio administrativo a eles

0
414

Desde 2011, o Congresso dos EUA votou mais de 10 vezes o DREAM Act, mas a falta de um acordo bipartidário brecou o debate e deixou milhares de jovens indocumentados sem solução

DA REDAÇÃO COM INFORMAÇÕES DA UNIVISION – Com dezenas de eventos em toda a nação e a seis meses das eleições gerais, os sonhadores ou DREAMers voltaram à carga em seus esforços para obter um alívio administrativo por parte do presidente Barack Obama que os proteja da deportação, como grupo, enquanto prossegue a discussão do projeto de lei DREAM Act que os legalizaria.

A campanha “O direito a sonhar” realiza-se ao mesmo tempo em que o senador republicano da Flórida, Marco Rubio, assegura estar pronto para apresentar sua versão do DREAM Act, una medida que não possibilitaria um mecanismo de cidadania direto, mas que, segundo o senador, permitiria aos jovens regularizar-se através das vias tradicionais.

Desconhece-se se a medida de Rubio terá apoio de seus colegas republicanos no Congresso, pois até agora eles bloquearam os esforços legislativos anteriores para avançar o DREAM Act, mais recentemente em dezembro de 2010.

Mas com a eleição próxima, a batalha pelo voto latino em andamento, e a possibilidade de um republicano apresentar um projeto de lei sobre o DREAM Act (medida que tem o apoio de nove entre cada dez latinos), aumenta a pressão para que o presidente Obama lance mão de sua autoridade presidencial e emita uma ordem executiva que proteja os sonhadores da deportação.

A Casa Branca indicou anteriormente que o presidente não emitirá a ordem porque corresponde ao Congresso legislar sobre o assunto.

No ano passado, o Departamento de Segurança Nacional (DHS) anunciou sua política de discreção executiva para priorizar as deportações e concentrar-se nos verdadeiros criminosos e não em chefes de família ou estudantes. Colocar em prática a teoria tem sido mais complicado.

“A detenção de sonhadores continua”, afirmou Gaby Pacheco, coordenadora da United We Dream.

O anúncio de Reid

Na semana passada, no programa Al Punto da rede Univisión, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, declarou que o presidente faria mais administrativamente pelos sonhadores e que isto ocorreria logo.

Um total de 22 senadores democratas assinaram uma carta enviada ao presidente Obama solicitando que ele considere uma ação ou a suspensão de deportação para todos os jovens indocumentados que seriam elegíveis para o DREAM Act, se o projeto for promulgado.

Rubio é considerado como um potencial companheiro de chapa do virtual aspirante presidencial republicano, Mitt Romney, que, durante as primárias, afirmou que vetaria o projeto DREAM Act em sua versão atual se ele chegar às suas mãos, caso seja eleito presidente.

Pacheco declarou que o United We Dream apóia o fato de Rubio ter colocado o tema em evidência, mas os estudantes não podem sinalizar se apóiam ou não a proposta “porque não vimos seu conteúdo”.

A jovem ativista afirmou que os dois partidos têm utilizado os imigrantes como balão político e de campanha e disse ainda que o tema imigratório colocou os votantes latinos em uma encruzilhada. De um lado, a falta de ação no DREAM Act somada ao número recorde de deportações sob a administração Obama e a promessa de reforma imigratória que não se concretizou, e do outro um Partido Republicano com um virtual candidato presidencial que só esboçou retórica anti-imigrante.

Segundo Pacheco, isto não oferece aos votantes latinos uma via clara sobre quem apoiar.
As pesquisas recentes mostram o apoio dos votantes latinos a Obama sobre Romney. A questão é se os latinos irão votar em números suficientes nos estados chave garantindo assim a reeleição do presidente.

A mensagem de Pacheco e dos sonhadores para Obama foi clara e contundente: “Nove entre cada dez latinos apóiam o DREAM Act. Precisamos ver transformado seu apoio de palavras em ação. Ele tem condição de assinar uma ordem executiva e estamos pedindo que faça isto agora porque não podemos perder nenhum estudante mais em nossa comunidade”.