Dupla Rose Max e Ramatis Moraes

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Eles vieram sem muitas conversas, sem muito explicar. Só sei que gostavam de música e gostavam de mar, e trocaram Rio por Miami sem pestanejar

Antonio Tozzi

Rose Max & Ramatis Moraes. Estes nomes são sinônimos de MPB em terras americanas. A voz linda de Rose e o talento de Ramatis como instrumentista vêm encantando brasileiros e estrangeiros aqui há mais de uma década. Portanto, nada mais justo do que homenagear este casal de artistas que valoriza bastante o bom nome que a música popular brasileira desfruta no exterior.

A seguir, uma entrevista com Rose e Ramatis sobre a bem sucedida carreira deles nos Estados Unidos, seus planos e projetos para o futuro. Para ler esta entrevista, sugerimos que você ponha o disco de Rose Max no CD player ou o DVD gravado ao vivo no Broward Center for the Performing Arts. Será a trilha sonora perfeita. Caso não tenha (shame on you!), serve qualquer música brasileira de boa qualidade.

Há quanto tempo vocês estão na “estrada”, contando o tempo de Brasil e EUA?
R&R – Trabalhamos como profissionais da música há, mais ou menos, vinte e tantos anos. Começamos muito cedo.

Por que decidiram vir para cá? Alguma proposta de trabalho? E por que o estado da Flórida?
Ramatis MoraesR&R – Ramatis fez um show em Orlando e Miami, com o grupo Golden Boys, em 1992. Um ano depois foi convidado a voltar para integrar a banda de uma casa de shows em Miami, o Ipanema Grill. Veio para ficar de dois a seis meses. Nesse meio tempo, a cantora da banda do Ipanema Grill pediu férias e eu fui convidada a substituí-la por um mês. Fiquei um, dois, seis meses, um ano. Fiquei. Ficamos.Tiramos visto de trabalho P3 como músicos e, alguns anos depois, a residência permanente. Mas, na verdade, eu vim mesmo só porque o Ramatis estava aqui. Nunca havia imaginado viver nos Estados Unidos.

Como vocês são recebidos pelo público estrangeiro ao interpretar clássicos da MPB?
R&R – O mundo ama o Brasil! Só o brasileiro que vive no Brasil ainda não se deu conta deste fato. Em qualquer lugar do planeta onde nos apresentamos a receptividade e o carinho do público com a boa música brasileira é enorme.

Vocês preferem trabalhar com músicos brasileiros ou estrangeiros? Ou o talento e a qualidade musical não está restrita ao lugar onde as pessoas nasceram?
R&R – Gostamos de trabalhar com músicos que, além de tocarem bem, tenham senso de responsabilidade, disciplina, bom humor, bom caráter, amor e respeito à música e ao público que nos ouve e assiste. Características como estas são encontradas (ou não) em músicos de qualquer nacionalidade.

Vocês fizeram de Miami uma base? Ou o plano de vida é continuar morando aqui?
R&R – Miami Beach (apesar das temporadas de furacão) é nossa base. Mas nosso lar é o planeta Terra. Nossa nave mãe. O melhor lugar do mundo é onde você se sente feliz internamente, pode se desenvolver como profissional e como ser humano e viver honestamente de seu trabalho. No momento há muitas possibilidades, propostas e chamados profissionais neste planeta.

Vocês acham possível acompanhar as tendências musicais brasileiras morando fora do Brasil? Ou a opção de vocês é continuar divulgando a MPB através das canções clássicas?
R&R – Selecionamos muito o que escutamos que vem do Brasil atualmente. Não temos interesse em estarmos atualizados com a música, o artista, a tendência do momento, da moda musical no Brasil. Gostamos do que é bom, de qualidade, não importando em que ritmo ou tendência seja. Como já dizia uma sábia bicha amiga(risos): “A moda é efêmera, volúvel, volátil!”. Tocamos o que gostamos, o que nos toca o coração, não importando o rótulo ou a época.

Do que vocês gostam atualmente no Brasil?
R&R – Gostamos do trabalho do Yamandu Costa, do Zeca Pagodinho, da Banda Mantiqueira, da Paula Lima, da Fernanda Porto, do suingue do Serjão Loroza, da afinação da Maria Rita, da consistência da Leila Pinheiro, do drums’n’bass paulistano, das rodas de choro cariocas, da Zelia Duncan, da bela voz da Ana Carolina, do grupo BR6, do timbre inconfundível do Simoninha, da criatividade do Carlinhos Brown e otras cositas mas.

Você pensam em fazer o crossover e gravar em inglês ou espanhol para aumentar as chances de mercado aqui nos EUA? A participação no Projeto Essência seria um destes sintomas?
R&R – Nossa primeira gravação profissional aqui, em 1997, foi com uma música em inglês, composta por Paulo Bethencourt e Ramatis. Chamava-se Up & Down e foi lançada numa compilação de dance music da gravadora Paradoxxx junto à rádio Power 95. Ramatis é compositor contratado da Warner Chapel Music onde trabalha compondo com e para inúmeros artistas do mercado latino-americano. No mais recente disco dos renomados artistas cubano-americanos Willie Chirino e Lizete, Ramatis tocou violão e foi portuguese vocal coach da dupla numa canção que gravaram em português de Toquinho e Vinícius de Moraes.Eu canto em inglês e espanhol, mas o que nos abre portas no mundo todo é, sem sombra de dúvida, nossa “brasilidade nagô”, o suíngue da música do Brasil. Nossa base, nossa escola é a música brasileira. É com ela, através dela e por ela que estamos aqui e que nos apresentamos em várias partes do mundo. No show Rose Max, Ramatis & Latin Friends, que apresentamos no Projeto Essência, dia 27 de junho passado, contamos com a participação de vários amigos cantores e músicos latinos tocando e cantando (em português!!!) músicas do Brasil. Todos gostam e querem tocar música brasileira. Por que? Por causa das ricas e peculiares harmonias, das melodias, dos ritmos, do suingue. Há no Sul da Flórida (e talvez no mundo todo) duos, trios e bandas formadas por latinos ou americanos que tocam, pensam que tocam ou tentam tocar (risos) a música brasileira. Alguns até dizem que, apesar de não terem nascido no Brasil, têm coração brasileiro.

Pensam em retornar ao Brasil e investir na carreira lá?
R&R – Não pensamos em voltar a viver no Brasil. Ir lá é só para ver a família, os amigos, fazer algum show e retornar.

Rose MaxVocês estão gravando discos independentes. Há contato para gravar algum CD com um selo musical mais forte?
R&R – No momento não temos interesse em lançar discos por nenhum record label. Vivemos em uma era em que venda de CD não dá mais tanto dinheiro pra ninguém. É simplesmente uma forma de promover e divulgar o trabalho musical do artista. Pirataria e download na internet desmoronaram e estão desmoronando o cenário do mercado discográfico mundial. Hoje em dia o artista compõe, grava, produz e distribui seu próprio trabalho. Dá mais trabalho? Dá. Mas … o que na vida não é trabalho?? (risos) Como vendemos nosso trabalho e fazemos contato? Temos agente, manager? Esse babado de empresário, manager, representante é uma coisa séria, complicada. Depois de algumas experiências (algumas dolorosas, outras cômicas) nós nos vendemos através do ShowtimeBrazil Productions. Aqui é o país da livre iniciativa. Ainda mais contando nos dias de hoje com a globalização através da internet.

Com qual artista (cantor/cantora/instrumentista) brasileiro vocês gostariam de trabalhar e ainda não tiveram a oportunidade?
R&R – Ramatis gostaria de conhecer pessoalmente, compor e gravar com o violonista Yamandu Costa.

Como vocês avaliam o atual estágio da carreira de vocês? O que fariam para melhorá-la ainda mais?
R&R – Para nós, nossa carreira musical está sempre em estado de evolução e aprendizado. A criatura que pensa que já sabe tudo, que já chegou ao topo (em qualquer área profissional), é tolo e pode deitar e esperar a morte física chegar. Aprender, experimentar, criar, evoluir é nossa meta.

Que canções vocês gostariam de gravar e ainda não gravaram?
R&R – Todas as que ainda não escrevemos.

Por falar nisto, quando sairá o próximo disco?
R&R – Acabamos de lancar no mercado o DVD As Cantoras do Brasil, uma homenagem a 14 divas da canção popular brasileira, que já está à venda nas lojas brasileiras nos Estados Unidos e, pela internet, através do site www.centraldobrasil.com. Domingo, dia 24 de junho, teve até uma chamada do DVD ao vivo (e de graça – nós não pagamos nada!!) no programa do Faustão. Propaganda que vale, segundo a Yara Cavagnac (da Globo Internacional), uns 120, 130 mil reais. Tudo graças ao apoio e força do amigo Jota! Sangue de Jota tem poder! Estamos trabalhando atualmente no novo disco. Será de composições inéditas, com um espírito bem carioca.Aguardem.

Vocês têm investido na seara de compositores? Têm algumas canções no forno para gravar ou para dar para outros artistas gravarem?
R&R – Através de seu trabalho como compositor contratado pela Warner, Ramatis tem composições gravadas por artistas como Vanessa Camargo, Jerry Rivera, Jennifer Peña, dentre outros. Rose Max tem músicas compostas com músicos e compositores italianos e franceses e colocadas em diversas compilações de chillout e dance music no mundo todo. Atualmente os dois vêm trabalhando em composições para seu novo disco.

Como vocês qualificam o aniversário de oito anos ininterruptos da dupla Rose Max & Ramatis em terras de Tio Sam, a ser comemorada no Jazid?
R&R – O trabalho da dupla Rose Max & Ramatis existe desde que chegou aqui, em 1993. O sucesso se dá pois passam qualidade, verdade e prazer de fazer no que apresentam ao público que os escuta e assiste. Fazem uma noite brasileira, toda última 5ª feira do mês, no Jazid Music Bar, em South Beach. A noite foi criada, há oito anos, por Roberta Alves, a antiga promoter e gerente da casa, que hoje vive no Brasil. Roberta convidou Rose e Ramatis a fazer a noite de música brasileira que se tornou o must de Miami Beach, onde a palavra de ordem é dançar, dançar, dançar e dançar pra não dançar e onde tudo de bom acontece. Latinos, europeus, americanos e brasileiros comparecem e caem no samba a noite toda, agora com a divulgação da promoter Andrea Cecilio. Dia 26 de julho, vai rolar a grande festa de comemoração dos oito anos ininterruptos da Jazid Brazil Monthly, com Rose Max, Ramatis e banda. A noite, além da boa e contagiante música brasileira e da alegria do público, promete muitas surpresas tais como lançamentos de brindes e presentes (Rose literalmente lança os brindes no ar, para as pessoas pegarem, no mais autêntico estilo Discoteca do Chacrinha) e participação de convidados super especiais e secretos. É ver para crer!

“O que nos abre portas no mundo todo é, sem sombra de dúvida, nossa “brasilidade nagô”, o suíngue da música do Brasil. Nossa base, nossa escola é a música brasileira”
– Rose & Ramatis